segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Confissões "COSMOPOLITAN", Novembro 2014


Confesso,
sexo é fundamental, estejamos nós numa relação ou fora dela e orgulhosamente solteiros.
Tão bom. Poucas sensações nos transportam para níveis tão elevados de adrenalina, paixão e gratidão como o sexo ou, e como alguns gostam de chamar, o fazer amor. Sinceramente não consigo descobrir uma única diferença entre uma coisa e a outra. Sexo é sexo haja ou não amor. É corpo, é carne, é suor, é entrega, é calor, é tesão, é vontade, é liberdade, é vida. E é assim que deve ser estejas tu numa relação ou num descompromisso colorido qualquer. No sexo o amor tem sempre de ficar à porta. Se ele entra corremos o risco de nos tornarmos demasiado repetitivos, enfadonhos e desinteressantes, cheios de mariquices e frustrados com desejos que temos mas que tornámos impossíveis de experienciar pelo medo de magoar o outro, da sua reação ou do que possa ficar a pensar. Depois o tesão acaba, as culpas assomam-se e o relacionamento já era. Uma sugestão: amem-se antes e depois, mas comam-se nos entretantos. Sim, vamos abrir as bocas, dar voz ao manifesto, gemer, morder, arranhar, palavrear, rir e gozar.
Demasiado frio?
Nada disso. Aceito, porém, que as mentes mais antigas, preconceituosas e bloqueadas estejam boquiabertas com a assertividade deste meu ponto de vista, no entanto, e antes de criticarem ou se insurgirem, sugiro que experimentem. Sim, arrisquem. Peguem na pessoa que está convosco e saiam da rotina. Vão para a rua, para o carro, para um vão de escadas ou para um elevador. Façam numa casa de família, contra uma parede de uma casa de banho qualquer, no cinema ou mesmo no local de trabalho. Experimentem. O sexo exige esse risco e a explicação é simples: ele depende unicamente dos sentidos. Quem levar a mente para a cama ou para uma rapidinha seja lá onde for, terá severos problemas pela frente. No caso do homem notar-se-á mais, é um facto, mas na mulher idem idem aspas aspas. O sexo precisa ser sentido e para ser sentido não pode nunca ser pensado. Se alguém, por exemplo, equacionar que hoje é terça-feira e como em todas as terças-feiras é preciso pôr a matéria-prima a fazer quilómetros as coisas não vão correr bem, certo? E porquê? Porque o sexo não tem hora, imposições nem limites. Ele deve ser feito unicamente quando apetece e quando apetece é preciso encontrar-se soluções para vivê-lo naquele mesmo instante. Uma vez encontradas deixa-se o amor à espera, o medo na esquina e eterniza-se o momento.
Quem não é assolado por memórias destas?
Tão bom. E quanto mais uma relação for pródiga nisto, mais cúmplices, confiantes e fortes se tornam as individualidades que a fazem, logo, mais duradoura será. O sexo é, assim, o principal alimento de uma relação. Sem ele a relação esperneia, desespera e depois morre. Sem ele a tolerância, a aceitação e entreajuda falham. A paixão desvanece e o amor não consegue segurar as pontas.
Mas como é que se estimula alguém com quem já gozámos centenas de orgasmos e a quem já conhecemos todos os truques e todas as manhas?
Mudando. Exatamente, mudando. A pessoa é a mesma, mas se o lugar, o momento, a roupa e a envolvência forem diferentes, tudo é diferente. É como se fosse a primeira vez.
Só mais uma questão.
Apetece-te?

2 comentários:

  1. Concordo com tudo escrito neste texto...;-)

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  2. Aqui ha uns dias li algures por aqui escrito por ti "Amor sem paixão é amizade" .
    Concordo plenamente e acredito plenamente que "amor sem paixão morre e essa paixão sem tesão apaga-se"

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