quarta-feira, 11 de junho de 2014

Confissões "COSMOPOLITAN", Janeiro 2014


                                                                        Confesso,
é a expectativa que mata os relacionamentos. É essa crença no vazio e essa criação desavergonhadamente condicional que esfola as pessoas colocando-as uma contra a outra e que depois as estrangula de palavras não ditas e sentimentos mal interpretados até o ar não ter onde circular. Expectar é antever um resultado que tu, simplesmente, não controlas e as probabilidades de as coisas não acontecerem no tempo que tu desejas, da forma que tu queres, com as palavras certas no momento certo e com os sorrisos e abraços devidos, são enormes, quase imensuráveis. Raramente uma expectativa traz um final feliz e assim é porque tu visualizaste a forma como tu darias, como tu farias e como tu reagirias. Acontece que tu és tu, não és o centro do mundo, e ninguém é igual a ti.
Resumindo para concluir e passar adiante: a expectativa é sempre o início de um fim lento e absolutamente doloroso.
Agora, e o que fazer para contrariar tal padrão de comportamento? Simples. Tomar a iniciativa e fazê-lo de uma forma absolutamente incondicional. É o nosso desejo, sem dependências nem criações malucas da cabeça.

Dois exemplos muito concretos:
A)     Criar expectativa relativamente a um pedido de casamento. O pedido não sai e somam-se as invenções na cabeça sobre tal ter sucedido: “Já não gosta de mim”, “Não sou suficientemente boa”, “Tem outra”, blá, blá blá.

B)      Criar expectativa relativamente a viver juntos. O homem ainda não quer e, uma vez mais, somam-se as invenções do costume: “Não sabe se gosta de mim”, “Tem medo ou vergonha de me assumir”, Não tem a certeza acerca da relação”, blá, blá, blá.

Dá para rir, certo? Quanto maiores e mais apuradas forem as invenções, maior o domínio da mente sobre as sensações e é precisamente isso que mata qualquer tipo de sentimento, por mais forte que seja.
Solução A : se te queres mesmo casar com essa pessoa, pede-a tu em casamento e se ele não mostrar disponibilidade nesse momento, aceita e serenamente faz por saber a razão dessa falta de sintonia em vez de te pores a inventar finais que apenas te levarão do sonho a um mar revolto de pesadelos.
Solução B : se estás mesmo disposta a viver com essa pessoa, surpreende-a com essa intenção, mas fá-lo sem expectar que essa seja a melhor notícia da vida dele. Fá-lo para lhe mostrar que respeitas as tuas vontades e que queres assumir tal compromisso porque sentes que encontraste a pessoa certa para o fazer. Um eventual “Não” da outra parte não significa que não te ame, significa que terão de se conhecer melhor.
Qualquer pessoa que seja perita em expectativas, leva para dentro de casa uma terceira entidade: o seu ego. E essa traição será sempre, mais tarde ou mais cedo, insustentável e responsável pelo final dessa relação.

1 comentário:

  1. Boa noite Gustavo,
    agradavelmente surpreendida com este seu lado, simplesmente colossal.
    É verdade, enquanto não olharmos para dentro de nós, com muita atenção, não vamos conseguir ter uma vida sem expectativas minadas pelo ego, sem apego ao acessório. Hoje vivo com uma serenidade que consigo aproveitar tudo o que a vida me dá. O bom e o mal, e melhor, retirar as devidas lições de cada situação. Também tive uma partida dolorosa, todos os dias sei que está comigo.

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