quinta-feira, 19 de junho de 2014

Confissões "COSMOPOLITAN", Abril 2014


Confesso,
relações amorosas à distância não é a minha praia.
Recordo-me da primeira, e única, vez que me aconteceu e lembro-me também da dor, do sentimento de impossibilidade, da frustração associada ao querer e não poder e do medo que a minha mente me administrava em momentos de maior fragilidade. Tinha catorze anos, é certo, ainda assim serviu-me de lição e nunca mais passei por nada semelhante.
Sou um homem que acredito profundamente no amor e nas suas mais variadas vertentes, seja por nós próprios, pelos outros ou mesmo pelas coisas e lugares que nos encantam, mas também acredito e afirmo, baseado na confiança que a minha experiência me confere, que o amor para sobreviver à passagem do tempo precisa, como um desidratado de água, de momentos de paixão.
Sim, amor sem paixão numa relação amorosa torna-se amizade.
Assim, e tendo em linha de conta esta convicção, como é possível duas pessoas alimentarem o fogo se entre elas existe um autêntico deserto que as separa do toque da carne, das respirações em uníssono e das mais variadas partilhas? Sim, podem dizer-me que hoje em dia a informatização já criou todo o tipo de atalhos para as mais variadas sensações como as chamadas telefónicas, as fotografias que facilmente se podem enviar dos lugares mais improváveis do planeta e até o skipe que apenas, e aparentemente, separa as pessoas por uma fina tela de vidro, mas e o resto? E a verdade? Sim, a verdade? Ou alguém pensa que isto é comparável ao afeto, ao colo, aos orgasmos ou até a uma mão dada? Nem pensar.
Agora, com isto não quero dizer que as pessoas que vivem esta distância neste momento devam terminar a sua história, não é isso, só quero afiançar-lhes que a ausência de sensações reais, de paixão pura e dura, poderá pôr em causa o amor que sentem e a vontade de permanecerem juntos. As dúvidas de um transformar-se-ão em medos no outro, portanto ou se alimentam de paixões fora dessa cúpula, seja em hobbies, amizades, viagens e afins ou caminharão diariamente no fio da navalha, naquela linha muito ténue que separa o prazer da culpa, os sonhos da desilusão e a felicidade da tristeza.
Tudo o que vale a pena nesta vida é aquilo que sentimos; o que pensamos, e a distância espreme-nos em pensamentos nem sempre saudáveis, é mau entretenimento.
Por mais calamitosa que possa ser a distância que tens do outro, pior e mais trágica é a distância que possas sentir de ti por te resignares a ter de viver longe. Mas olha, escuta uma coisa, não tens, apenas escolhes fazê-lo.
E não penses nisto; sente… e depois atua em conformidade.

6 comentários:

  1. «Tudo o que vale a pena nesta vida é aquilo que sentimos», o entendimento da distância resume-se a isso mesmo. O resto é sempre possível, basta acreditar. ;))

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  2. Gustavo, acabou de colocar em palavras tudo o que sinto neste momento, sou casada, mas na impossibilidade de arranjar trabalho em Portugal, o meu marido foi para França.
    Sinto-me mesmo no fio da navalha, amo o meu marido, mas não suporto a distância e não consigo lidar com ela, não quero com isso dizer que posso separar-me, mas o amor precisa de ser alimentado, diariamente, a paixão idem.....nem preciso de dizer mais nada. Obrigada pela partilha deste texto que tão bem se enquadra neste meu momento.

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  3. Obrigada Gustavo! É só o que consigo dizer.....

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  4. Nem tudo o começa "longe" termina "longe", Até porque o "perto" está à distância dum "querer".
    ...

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  5. namoro a 3 meses com a minha namorada, mas agora, nestes 2 meses de ferias nao vou ve la pk ela nao pode se ir encontrar comigo...vivemos a apenas 7 km,mas como ela nao conta para seus pais nao nos vamos ver...sera que da? eu estou mesmo apaixonado

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