segunda-feira, 12 de maio de 2014

Confissões "COSMOPOLITAN", Dezembro 2013


Confesso,
o Natal é uma época pela qual só me apaixonei muito recentemente. Desapontava-me a febre consumista, o condicionalismo das pessoas ao oferecerem presentes com um olho no que davam e outro no que podiam vir a receber, e o estar à mesa na noite de consoada com familiares desesperantes porque tinha de ser ou porque parecia mal não estar ou porque se podia ferir suscetibilidades alheias se a nossa presença não se fizesse notar.
Desencantava-me o Natal porque não mora encanto na ausência de valores, no esforço e na contrariedade. Percebi mais tarde que, afinal, era eu a origem deste bruxedo. Era eu que, mergulhado na penosa e implementada tradição, escolhia comprar sem vontade, criava expetativas quanto ao que poderia vir a receber e escolhia jantar à mesa com pessoas, por si só, enfeitiçadas pela agonia das suas vidas.
Afinal era eu, apenas eu. Somos sempre nós.
Hoje, tudo é diferente. Hoje não me rejo mais pelos padrões sociais. Não compro se não o sentir, nada espero em troca e muito menos vou parar a casas onde se respira tudo menos o digno e merecido ar de um verdadeiro lar. Hoje não tenho medo de magoar ninguém com a minha ausência, não me preocupa sequer o que possam pensar nem invisto um pensamento que seja na possibilidade de voltar a ser o que era para agradar a todos menos a mim.
Já chega.
O Natal é uma celebração, como tal, por que não aproveitar a data para pôr finalmente um fim a fretes, a favores e às habituais faltas de respeito que tens vindo a ter contigo? É claro que se vives numa relação amorosa terás de encontrar o equilíbrio entre as partes, contudo essa harmonia não pode de forma alguma ser negligenciada por ti, seja impondo a tua verdade ou vestindo a pele da passividade. Quem ama cede, é um facto, mas quem se ama não permite veleidades contra si mesmo. O que fazer então? Comunicar, e se em última instância não houver acordo entre o casal, só há uma solução: cada um passa a noite onde se sente verdadeiramente feliz. É isso que importa. Caso contrário, está o caldo, ou melhor, o peru entornado, pois pelo menos uma das partes dirá no final da noite que existe um culpado para a triste ceia que passou. Sabes do que estou a falar, certo? Já passaste por isto, não já? E então, é isto que continuas a pretender? Não, pois não? Então que tal, e de uma vez por todas, expores o que sentes e agires em conformidade com a tua vontade? Escolheres o melhor para ti? E estares com quem verdadeiramente te apetece? Se for a dois tanto melhor, mas se não for certifica-te do seguinte: o mundo não acaba nessa noite. O que pode acabar, e para sempre se continuares a infringir o que sabes ser melhor para ti, é a esperança de um dia te respeitares e receberes a melhor prenda do mundo: ser feliz.
Somos os comandantes da nossa vida, somos nós que escolhemos a rota do nosso destino e abdicar deste poder com medo de magoar seja quem for é assumir que não há problema nenhum em fazê-lo connosco. Se assim for não esperes que nenhum velhote, simpático e de longas barbas brancas, desça pela tua chaminé. Não mereces.
Feliz Natal

Sem comentários:

Enviar um comentário