segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Confissões "COSMOPOLITAN", Dezembro 2014


Confesso,
uma vez mais, não vou oferecer nada a ninguém neste Natal.
Já o fiz mais que uma vez e adoro fazê-lo. Adoro este descompromisso com o suposto, este infringir de regras e, sobretudo, adoro não ser toino como a maioria. Sim, como aqueles que abdicam do essencial em prol de corridas desenfreadas entre centros comerciais à procura do que não sabem, como aqueles que têm dificuldade em dormir por não saber o que dar e a quem dar, como aqueles que fazem contas e mais contas para esticar o ordenado ou a falta dele por forma a agradar aos outros ou como aqueles que dão o mesmo a todos, indiferentes aos gostos e às necessidades de cada um. Deus me livre. Que sufoco. Todos os dias de dezembro dou graças a mim por não padecer desta doença.
Este dar porque foi instituído que se deve dar é, e perdoem-me as exceções, ou seja, aqueles que dão verdadeiramente com amor, absolutamente ridículo. Não acrescenta nada à vida das pessoas a não ser stress, ansiedade e expectativas. Não se dorme bem, não se respira a época nem se celebra por inteiro e quando chega a consoada já está tudo demasiado estafado e com culpas demasiado pesadas aos ombros para conseguirem sentir o fundamental: a união, a família, o afeto, as partilhas e o amor. Quem é que já não sentiu esta carência na pele? Eu já e também mais que uma vez e talvez por isso fale de uma forma tão aberta acerca deste tema. É que já dei por mim, recentemente e em variadíssimas ocasiões, a abrir os melhores presentes da minha vida muito antes da meia-noite e à mesa entre gargalhadas, lágrimas, histórias e olhares cúmplices. O Natal é isto. Apenas isto. A plenitude e um sentimento de profunda gratidão. E é por isso que se diz o que Natal devia ser todos os dias.
Naturalmente, não me atrevo a opinar sobre prendas a crianças, a pais, a melhores amigos ou à pessoa com quem partilhamos a vida, jamais o faria, no entanto estou certo de que tal investimento deva ser, acima de tudo, uma escolha de amor e não por uma devoção qualquer ao formato a que a nossa sociedade se limitou. Aquilo que é material só faz sentido se complementar o que é sentido, jamais servirá como substituto ou argumento que o valha para a ausência de amor, como tal, o presente ideal seja para quem for deve ser sempre o beijo ou o abraço, o carinho ou o amasso e o “amo-te”, o perdão ou a aceitação. E o melhor é que nada disto tem custo algum. É à borla. As pessoas podem, então, dormir descansadas, não precisam fazer mais contas difíceis nem continuar a fazer figuras tristes com oferendas reles desprovidas de qualquer sentido ou sentimento. Poderão, então, ser livres e conseguirão desfrutar da época, e ela é tão especial, por inteiro e sem o mínimo constrangimento a que a obrigatoriedade tanto exige.
Só assim, oferecendo aquilo que verdadeiramente somos, é que podemos ser felizes.
E para fechar, diga-se a verdade, não há ninguém que queira mesmo um par de peúgas, uma caixa de chocolates nem vinte, cinquenta ou cem euros fechados num envelope. Nada disso tem energia. O que as pessoas desejam é que o barbudo lhes devolva o aconchego, o afeto e o amor entre todos. Simples. Ah, e só mais uma coisa, nada disso descerá pela chaminé, somos nós, cada um de nós, que terá de encontrar a fonte que existe em si para depois o conseguir partilhar sobre a mesa de jantar com a árvore enfeitada como pano de fundo.
Feliz Natal.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Confissões "COSMOPOLITAN", Outubro 2014


Confesso,
é urgente reformular o conceito de rejeição.
As pessoas sentem-se rejeitadas por tudo e por nada. Virou moda. Agora quem não é rejeitado é que é posto de lado, excluído, ou associado a coisas estranhas como a felicidade ou o amor-próprio.
Uma treta.
A rejeição não é o abandono, não é o deixarem de gostar de nós e muito menos o sermos trocados por outra pessoa qualquer. Isso não é rejeição. Isso é o livre arbítrio e nada é mais sagrado que esta condição.
Nada. Absolutamente coisa nenhuma.
O respeito pela liberdade de escolha dos outros é tão importante como o respeito por ti. Como tal, impõe-se esclarecer, e desde já, o seguinte: a partir do momento em que te sentes rejeitado por alguém ficas, então e neste preciso momento, a saber que foste tu que te esqueceste de ti em primeira instância. Foste tu que te abandonaste. Foste tu que deixaste de gostar de ti. E foste tu que te trocaste por outra pessoa. Sim, em qualquer momento, consideraste essa pessoa como alguém muito mais importante que tu na tua própria vida, logo, passaste a depender dela, a centrar nela o teu mundo e a viver na sua mão.
Que bonito, não é?
Esse comportamento trouxe-te os malefícios expectáveis: tornaste-te numa pessoa frouxa, manipulável, sem opinião, passiva e dependente. Quem é que quer alguém assim? Eu não. Livra. Mas foste tu que iniciaste este processo. Portanto, ninguém é responsável, e muito menos culpado, por te ter deixado. Foste tu que escolheste dar esse passo para longe de ti.
As pessoas querem e deixam de querer, amam e deixam de amar. A vida é um vendaval de ciclos. Tudo começa e tudo acaba. E só tu estarás contigo do princípio ao fim da tua vida. Logo, se não queres correr o risco de ser rejeitado, respeita-te. Faz o que sentes, diz o que pensas, relaciona-te com quem te apetece, mas sem expectativas, entrega-te e deixa fluir. Só assim adquirirás a confiança que necessitas para, eventualmente, saberes aceitar o momento em que alguém queira seguir a sua vida sem ti.
Simples.
Só não és amado se não tiveres amor-próprio. A partir do momento em que te amas, nada nem ninguém te fará sentir rejeitado, pois tu possuis-te a ti mesmo. Tu és tu. Tu não és ninguém além de ti.
Resumindo, a verdadeira rejeição dá-se no momento em que tu abdicas dos teus valores em prol de alguém. É esta ideia que precisa ficar bem alicerçada na alma, no coração e na cabeça das pessoas. Sempre que nos amamos, ganhamos o inesgotável poder de nos apaixonar mais vezes, de perdoar mais facilmente e de aceitar tudo e todos de uma forma mais simples. Cada um de nós está no seu processo. É importante respeitar isso. Mas é fundamental saber edificar um “Eu” dentro de nós capaz de nos tornar independentes o suficiente para não nos alienarmos daquilo que somos e daquilo que queremos por nada nem ninguém. A pessoa certa para qualquer fase da nossa vida saberá respeitar e potenciar a nossa índole, se não souber é porque não é a pessoa certa. Simples.
Foca-te em ti, só assim poderás permanecer inabalável e crente que de que é possível ser-se feliz.     

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

OBRIGADO A MIM, OBRIGADO A DEUS E OBRIGADO A CADA UM DE VOCÊS!


Primeiro ninguém acreditava, depois ninguém queria saber e ainda me disseram que não era possível ser eu a escrever os meus próprios livros. Nunca permiti que me influenciassem,
nunca desisti, nunca desrespeitei os meus valores nem aquilo que sonhava e o resultado foi este! Está agora escrito e ao alcance de todos. Foram precisos seis livros e muitos anos de crer para obter este tremendo resultado, portanto, e a mensagem que fica disto tudo, é apenas esta: um sonho tem sempre longos caminhos e muitos passos a dar, portanto quem desiste nas primeiras passadas nunca chegará a conhecer este sabor, nunca saberá a gratidão, o orgulho e as emoções que decorrem de uma vitória destas.
Não é o título que me agiganta aos meus olhos, pois hoje sou eu e amanhã será outro autor, o que me faz brilhar é simplesmente o ter acreditado sempre em mim!
Tudo é possível, assim mantenhas acesa a paixão, a disciplina e o teu sentido de missão!

Obrigado!

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Confissões "COSMOPOLITAN", Novembro 2014


Confesso,
sexo é fundamental, estejamos nós numa relação ou fora dela e orgulhosamente solteiros.
Tão bom. Poucas sensações nos transportam para níveis tão elevados de adrenalina, paixão e gratidão como o sexo ou, e como alguns gostam de chamar, o fazer amor. Sinceramente não consigo descobrir uma única diferença entre uma coisa e a outra. Sexo é sexo haja ou não amor. É corpo, é carne, é suor, é entrega, é calor, é tesão, é vontade, é liberdade, é vida. E é assim que deve ser estejas tu numa relação ou num descompromisso colorido qualquer. No sexo o amor tem sempre de ficar à porta. Se ele entra corremos o risco de nos tornarmos demasiado repetitivos, enfadonhos e desinteressantes, cheios de mariquices e frustrados com desejos que temos mas que tornámos impossíveis de experienciar pelo medo de magoar o outro, da sua reação ou do que possa ficar a pensar. Depois o tesão acaba, as culpas assomam-se e o relacionamento já era. Uma sugestão: amem-se antes e depois, mas comam-se nos entretantos. Sim, vamos abrir as bocas, dar voz ao manifesto, gemer, morder, arranhar, palavrear, rir e gozar.
Demasiado frio?
Nada disso. Aceito, porém, que as mentes mais antigas, preconceituosas e bloqueadas estejam boquiabertas com a assertividade deste meu ponto de vista, no entanto, e antes de criticarem ou se insurgirem, sugiro que experimentem. Sim, arrisquem. Peguem na pessoa que está convosco e saiam da rotina. Vão para a rua, para o carro, para um vão de escadas ou para um elevador. Façam numa casa de família, contra uma parede de uma casa de banho qualquer, no cinema ou mesmo no local de trabalho. Experimentem. O sexo exige esse risco e a explicação é simples: ele depende unicamente dos sentidos. Quem levar a mente para a cama ou para uma rapidinha seja lá onde for, terá severos problemas pela frente. No caso do homem notar-se-á mais, é um facto, mas na mulher idem idem aspas aspas. O sexo precisa ser sentido e para ser sentido não pode nunca ser pensado. Se alguém, por exemplo, equacionar que hoje é terça-feira e como em todas as terças-feiras é preciso pôr a matéria-prima a fazer quilómetros as coisas não vão correr bem, certo? E porquê? Porque o sexo não tem hora, imposições nem limites. Ele deve ser feito unicamente quando apetece e quando apetece é preciso encontrar-se soluções para vivê-lo naquele mesmo instante. Uma vez encontradas deixa-se o amor à espera, o medo na esquina e eterniza-se o momento.
Quem não é assolado por memórias destas?
Tão bom. E quanto mais uma relação for pródiga nisto, mais cúmplices, confiantes e fortes se tornam as individualidades que a fazem, logo, mais duradoura será. O sexo é, assim, o principal alimento de uma relação. Sem ele a relação esperneia, desespera e depois morre. Sem ele a tolerância, a aceitação e entreajuda falham. A paixão desvanece e o amor não consegue segurar as pontas.
Mas como é que se estimula alguém com quem já gozámos centenas de orgasmos e a quem já conhecemos todos os truques e todas as manhas?
Mudando. Exatamente, mudando. A pessoa é a mesma, mas se o lugar, o momento, a roupa e a envolvência forem diferentes, tudo é diferente. É como se fosse a primeira vez.
Só mais uma questão.
Apetece-te?

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

CONFERÊNCIAS "TU ÉS CAPAZ" - PORTO E LISBOA



                              TODAS AS INFORMAÇÕES NOS REPECTIVOS CARTAZES!

terça-feira, 9 de setembro de 2014

OBRIGADO SARA RIBEIRO!



Olá Gustavo :)
Então? Tudo bem? :)
Não sei bem por onde começar a expressar aquilo que queria, não sei as palavras certas que usar, porque são sentimentos difíceis de exprimir.

Ora bem, gostava antes de mais dizer que é um orgulho para mim, um ponto de referência na minha vida!
Os seus livros, os seus estados no facebook, como é um brilhante actor, um bom apresentador, tudo! Orgulho-me muito em falar de si, porque é uma pessoa que mostra ser humilde, lutador, ajudar as pessoas, uma personalidade forte, uma mentalidade realmente fenomenal.
Nesta temporada, estou a ler o livro 'A Força das Palavras', é um livro que realmente aconselho a toda a gente e que vale a pena ler.
Tenho 18 anos, não gosto de ler. Ou melhor, não havia livros que realmente me interessassem, mas o seu... O seu, não sei, chamou-me à atenção. Posso dizer que foi das melhores coisas que me aconteceram, porque realmente as palavras, os exercícios propostos no livro, tudo ajuda, tudo faz sentido.
Aos poucos estou a conseguir melhorar os hábitos, os pensamentos, as ações... Enfim, a rotina em si. E tudo graças a SI.
Um grande OBRIGADA mesmo.
Não acho que seja apenas para mim uma grande pessoa, creio que a pessoa que está consigo seja muito orgulhosa do grande homem que tem!
Pode mesmo dizer-se isso, grande homem. Porque pessoas assim, hoje em dia, são realmente raras e você ser assim, é de louvar.
Um enorme, e do fundo do meu coração, OBRIGADA. Pela força que me transmite, pela referência que é, pelas palavras, por tudo.
Espero realmente que seja feliz com tudo e toda a gente que tem consigo, porque uma pessoa connosco e a nossa família, são das coisas mais meravilhosas que temos.
Teria muito a dizer, mas na verdade as palavras não chegam e começam a desaparecer, porque a alegria de lhe estar a escrever, apodera-se de tudo o resto.

Não sei se irei obter resposta, não sei se até irá ler, mas gostava imenso de ter uma resposta sua. Você não imagina o quão feliz eu ia ficar!
Por último queria dizer, apesar de você já o saber, para nunca desistir realmente daquilo que quer, que gosta e que lhe faz bem e feliz. Porque sem dúvida, desistirmos de uma parte de nós, é das piores coisas a fazer.

Mais uma vez, obrigada e beijinhos :)

quarta-feira, 23 de julho de 2014

OBRIGADO JOSÉ ROCHA!


Olá Gustavo,

Não sei se irás ler este mail, ou se irei ter qualquer feedback mas se o leres já cumpre o seu objectivo.

Como é óbvio conhecia o teu trabalho como actor/apresentador e sempre gostei, aqui há uns tempos vi qualquer coisa (já não sei bem onde) acerca do teu trabalho na área do aconselhamento individual, e aquilo tocou-me de alguma forma mas não explorei mais. No outro dia vi a tua participação no "5 para a Meia-Noite" e aí sim, fui mais a fundo e vi alguns vídeos teus inclusive a apresentação na Rainbow.

A forma base como abordas a vida e a solução que encontras passando pela auto-responsabilização é no mínimo fabulosa, eu sempre pensei assim e revejo-me em tudo aquilo que ouvi. O que dizes é a pura realidade, as coisas são assim e ponto. Como é óbvio vou varrer o teu blogue e comprar os teus livros.

Admiro também a coragem que tens em expor as tuas ideias especialmente num país como este, e sendo tu já uma figura pública, poderias ter sempre algo a perder, mas mais uma vez demonstraste quem realmente pilota o avião.

É verdade que há gente a viver mal, mas também é verdade que sempre o houve, o que faz a diferença entre estar no lado bom ou mau é a atitude mental, temos que ser os primeiros a acreditar em nós pois, e como dizes, somos os mais importantes da nossa vida.

Ainda não li o suficiente mas tenho quase a certeza que praticas algum tipo de meditação, estou correcto ?

Entre muita coisa que dizes a mensagem comum a todas as tuas ideias é que o poder para conseguirmos mudar/melhorar está e sempre esteve dentro de nós, claro que esta mensagem vai chegar e produzir efeitos  numa % muito pequena de pessoas, mas se algo mudar já é positivo.

Neste país faltava alguém como tu para tentar abrir e ampliar as mentes que por aí andam, fazes me lembrar o Eckhart Tolle. Daqui por diante irei sem dúvida seguir o teu trabalho e será um enorme prazer  dar-te um abraço um dia destes talvez num dos teus Workshops.

Grande Abraço.

José Rocha

segunda-feira, 14 de julho de 2014

TODOS OS SONHOS SÃO POSSÍVEIS!


Ontem foi dia de almoçarada em casa da sogra!
Mesa farta, gargalhadas, música ao vivo, histórias do antigamente, enfim, o melhor de África com o melhor de Portugal. Comi como se nunca tivesse ouvido falar em disciplina, abracei gente boa, fechei os olhos muitas vezes para sentir o vibrar da guitarra na minha alma e ri com as habituais e mirabolantes histórias de quem passou ou ainda vive por terras angolanas.
Bom, mas por incrível que pareça, esta nota introdutória foi o menos interessante da tarde que acabou por se arrastar até à quase noite. Aquilo que me marcou e me emocionou foi mesmo o que vivi com um miúdo de dez anos, chamado Té!
Quando chegámos à humilde casa da alegria, eu e a minha namorada, fomos imediatamente abraçados por este puto. Viu-nos entrar, largou o que estava a fazer no sofá e exclamou: Tios!! Este parentesco do coração, não de sangue, sabe-me bem pois gosto do miúdo de lés a lés daquele metro e pouco que tem. É um guerreiro, soube sofrer numa idade em que apenas é suposto brincar e, melhor ainda, apesar de não estar a salvo de novas complicações de saúde ninguém dá por isso. Tem essa mestria dentro dele. É um mestre, portanto.
Depois do abraço, voltou para o sofá, sentou um computador arcaico ao colo e ali ficou o tempo suficiente, calado e concentrado, até aquele comportamento chamar a minha atenção. Sentei-me ao seu lado e perguntei-lhe o que estava a fazer. Disse-me que estava a ver jogos para a “PlayStation”. Vi-o correr pelo menos quatro páginas inteiras de jogos no “Google”. Perguntei-lhe qual era o seu jogo favorito, ele respondeu-me “GTA”, o qual tinha em minha casa, e depois perguntei-lhe se era bom a jogar aquilo. Ele disse-me que não sabia porque não tinha “PlayStation”, mas que tinha um amigo que lhe tinha pedido para ele pedir uma à mãe para que, dessa forma, fosse possível jogarem “online”. Ora, a mãe deste puto, outra lutadora da cabeça aos pés e que apesar das enormes dificuldades nunca esconde o sorriso, não tem como materializar um pedido destes ao filho, sabia eu, portanto aquele desejo ficaria eternamente no ar durante, pelo menos, os próximos anos e os miúdos nunca viveriam o desejo maior de jogarem juntos.
Foi neste momento que senti a magia. Uma voz dentro de mim, da alma mesmo, pediu-me para realizar-lhe aquele sonho. Foi uma sensação maravilhosa que rapidamente se tornou numa convicção. Não pelo simples dar, mas pelo facto deste puto, apesar da consciência das dificuldades, nunca ter desistido de acreditar que era possível e, por isso mesmo, continuava a ver jogos que poderia eventualmente jogar se tivesse a dita máquina. O que ele me mostrou, sem perceber, é que estava a co-criar o seu destino e isso é absolutamente divino. Num ápice, saí de casa com a minha namorada, fomos à “Worten”, despachámos o assunto em menos de nada e regressámos à casa cheia, de mesa agora mais despida.
Chamámos a minha sogra, cuja adoração pelo miúdo é imensurável, chamámos a sua mãe, algumas visitas aperceberam-se de que algo ia acontecer e um silêncio bonito juntou-se à festa. Sentei-me, então, ao seu lado e disse-lhe como se não tivesse apenas dez anos:
- O tio vai dizer-te uma frase para tu repetires e nunca mais te esqueceres, pode ser?
O miúdo não percebeu nada, porém, e segundos depois, acabou por assentir com a cabeça. Tinha não sei quantos olhos, tão curiosos como ele, a olhar para ele.
- A frase é: TODOS OS SONHOS SÃO POSSÍVEIS.
- O quê?
A malta riu-se.
-Repete esta frase do tio: TODOS OS SONHOS SÃO POSSÍVEIS.
A plateia começou a dizê-la e o puto foi atrás, até que, e já em silêncio, a disse sozinho:
- TODOS OS SONHOS SÃO POSSÍVEIS!
Nesse momento levantei-me, fui buscar a prenda, embrulhada e tudo, e entreguei-lha. Não era Natal, não era o seu aniversário, era apenas o resultado daquilo que ele, sem ter consciência, tinha criado mesmo à minha frente. Quando queremos muito uma coisa, a energia que depositamos nesse desejo aliada a todas as ações que nos são possíveis tomar fazem com que, mais tarde ou mais cedo, tudo se realize.
A sua reação não se conta por palavras. A emoção que se viveu naquela casa também não.
E quando disse, abraçado à mãe, que agora só lhe faltava o tal “GTA” para começar a jogar, eis que lhe é entregue em mão. Para quê ter uma coisa em casa que não lhe damos valor, se a podemos oferecer a alguém quando é tudo o que essa pessoa quer?
Hoje é outro dia, porém há uma imagem que não me larga a cabeça: vê-lo a dar festinhas na embalagem sem perceber que o estava a fazer.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

SABES QUAL É O SENTIDO DA TUA VIDA?


Na vida existem dois caminhos: ou sentes mais ou sentes menos. Não sentir não é um caminho, é um poço negro, fundo e denso para onde se cai e nunca mais se é encontrado. Agora, em qual destes trilhos te encontras tu? Permites-te desejar, ser desejado e desejarem juntos? Ou segues todas as regras como um lindo menino da catequese? E as pessoas com quem te dás? Sentem, fingem que sentem ou já desapareceram e ninguém lhes disse nada? Sabes quem és? Ou já te perdeste? Onde? Por quem? O que aconteceu? Demasiadas perguntas do chato do costume, não é? Aguenta-te. Antes assim, que acabares por dar aquele passo em falso e caíres no buraco lamacento que fica mesmo mesmo no final do caminho em que se sente menos, bem lá ao fundo onde já não se sente nada. Se já caíste, eu explico-te o que aconteceu, das duas uma, ou não te questionaste atempadamente ou questionaste alguém sobre a tua própria vida. Por outras palavras, ou estiveste nas tintas para ti demasiado tempo ou tinhas tanto medo de perder fosse quem fosse que te perdeste sem dares conta. Bonito serviço.
A única pessoa que sabe tudo a teu respeito és tu, portanto não peças conselhos a ninguém sobre o que deves ser ou fazer, permite-te escutar a tua intuição. Ah, e se porventura alguém se armar em Chico-Esperto e te impuser um caminho, ouve o que esse energúmeno que escolheste para a tua vida te diz, reproduz para dentro, questionando-te, e depois age em conformidade com a tua resposta. Sim, com a tua resposta. Mais, se o que te respondeste foi diferente da imposição que te foi feita, livra-te desse egocêntrico para sempre.
Todo o ser humano que impõe como forma de agir, é alguém que necessita profundamente de ter os outros porque não se tem a si mesmo, é alguém que já está no fundo do poço e depende do amontoar de pessoas desde a base até à superfície para conseguir escalá-lo. Se visualizares isto, a imagem que obterás é terrivelmente obscena. É aí que te encontras? És um desses corpos esmagados que vês?
São as perguntas que te fazes ou que te são feitas que te mostram o caminho. Nada mais, mais coisa nenhuma. Se estiveres a ler isto no fundo do poço, é uma sorte. Aliás, nem sei como conseguiste que te arranjassem corrente eléctrica lá para baixo, mas ainda bem. Gosto de acreditar que somos todos capazes de dar a volta, portanto agarra bem esta oportunidade.   
Enfim, o importante é saber, então, qual a principal ilação a tirar disto tudo, certo? Pois bem, ei-la:
AS PESSOAS DEIXAM DE SENTIR PORQUE QUEREM!
Exato. Ninguém deixa de sentir porque se esquece ou porque não pode. É impossível. Sentir é inato e nós podemos sempre na medida que queremos. Sentir nasce connosco. É uma capacidade que já vem de outras vidas e que seguirá para a próxima, como tal, é algo que é suposto percorrer-nos do norte ao sul da nossa estadia.
SENTIR É O SENTIDO DA VIDA.
Mas então qual será o motivo que leva as pessoas a deixar de sentir? Simples, é muito mais fácil pensar. Pensar não implica riscos, podemos fazê-lo na nossa zona de conforto e também não nos aufere qualquer tipo de responsabilidade. A malta gosta disto. Gosta de morrer aos poucos como todos os outros. Fazer o quê? O importante frisar, e para que não se adicione ainda mais desresponsabilização à espécie de vida que estas pessoas têm, é que a queda no poço é uma escolha absolutamente consciente. Todos aqueles que caem, caíram porque quiseram.
Agora, e verdade seja dita, a sua escalada também é uma decisão em consciência, porém nunca, repito nunca, poderá ser às custas de ninguém, pois não foi A nem B que te puseram lá, foste tu! E se foste tu, és também tu, só tu, que podes fazer o caminho ascendente. Se é possível? Claro. Se é difícil? Muito. Se vale a pena? É tudo o que vale a pena. Vais cair muitas vezes, é o preço a pagar pela indiferença de tantos anos, mas uma coisa também te garanto, se fores persistente e respeitares sempre o que é melhor para ti, chegará o dia em que conseguirás alcançar a superfície. Dessa data em diante, e com a força interior que soubeste somar perante as adversidades e as convicções que aprendeste a teu próprio respeito, passarás a ser um canal divino, alguém com o incrível poder de transformar qualquer problema em soluções, qualquer dor num bom significado e inspirar todos aqueles que te rodeiam.
E olha, tenho mais uma coisa para te dizer:
TAMBÉM EU SAÍ DO POÇO. JÁ PASSARAM ALGUNS ANOS DESDE QUE FIZ ESSA ESCALADA SOZINHO E O RESULTADO, MAIS DO QUE AQUILO QUE VÊS, É TUDO O QUE SEI A MEU RESPEITO. SE EU FUI CAPAZ, TU TAMBÉM ÉS. SÓ TENS DE QUERER E ACREDITAR TANTO COMO EU.  

quinta-feira, 3 de julho de 2014

CARTA ABERTA DE GRATIDÃO A TODOS!


Ontem foi um dia muito especial para mim, marcante mesmo, como tal, e porque a gratidão vive em mim como o espírito de conquista, faço questão de vos endereçar publicamente um enorme “OBRIGADO” pelo que me fizeram sentir sem que o soubessem que estavam a fazer. Passo a explicar:

- A CAUSA (números aproximados durantes as últimas vinte e quatro horas)
. 1800 Likes novos na minha página de Facebook
. Alcance máximo de pessoas num “post”: 157000 no vídeo “Quanto tempo esperarias pelo amor da tua vida”
. 7000 Visitas ao meu Blogue
 . 200 Seguidores novos no Instagram (Oficial_GustavoSantos)
. 80 Emails com testemunhos absolutamente maravilhosos, questões e muita gratidão.

- O EFEITO
Sempre que uma voz se ergue, por muito bem intencionada que seja, gera sempre admiração, discordância e ódios. Faz parte. É assim mesmo. E não há problema nenhum nisso. A minha jamais se calará, aconteça o que acontecer, digam ou escrevam o que quiserem. Já o escrevi e repito:
QUANDO UM HOMEM SABE A SUA MISSÃO, É MUITO DIFÍCIL TRAVÁ-LO!
E assim é comigo, eu sei perfeitamente qual é o meu caminho, por onde terei de ir e quais os enormes desafios que essas escolhas implicam. Não tenho medo. Sou um guerreiro e um guerreiro não teme porque sabe que possui a maior arma de todas, a sua intuição. A mim, basta-me confiar naquilo que sinto para viver com a certeza que estou a dar largos passos rumo ao meu destino.
A maior parte das pessoas sabe identificar quem é o bem, sabe respeitar quem se limita a partilhar o que é uma verdade para si mesmo e sabe tirar o sumo da fruta daquilo que ouviu ou leu e bebê-lo por forma a permitir-se inspirar, porém, muitas outras existem que, por terem tido educações diferentes, nem melhores nem piores, apenas diferentes ou se terem apartado de si mesmas em escolhas, muitas delas inconscientes, ao longo das suas vidas, discordam, e com toda a legitimidade, daquilo que possa estar diante delas. Acredito que um dia mais tarde, interrogar-se-ão sobre o que em tempos ouviram ou leram e porventura ficarão mais próximas de dar um pequeno passo atrás para que depois consigam dar uns mil em frente. E por último, ainda existem aquelas pessoas que apenas julgam, ameaçam e ofendem gratuitamente, espelhando para os outros o ódio e a raiva que remanesce dentro delas. A justificação também é entendível, o problema é que ainda estão muito distantes de si mesmas e porventura esta vida não lhes chegará para se aproximarem do amor-próprio que tanto precisam para serem felizes. Sim, esta categoria de pessoas olha para quem traz algo de novo ou para quem simplesmente os questiona como enormes ameaças à sua ignorância, indiferença própria e ausência de conhecimento próprio, como tal, atiram palavras como se fossem pedras esquecendo-se que tudo o que arremessam contra alguém que se ame, faz ricochete e volta para elas mais tarde ou mais cedo. Ou seja, o ódio que debitam é sempre para consumo próprio. A nós, aos conscientes, compete-nos aceitar este comportamento, não investir qualquer energia no mesmo, porém, estar atentos a um eventual pedido de ajuda. Sim, esta malta precisa muito de ser ajudada, mas para que tal aconteça serão eles que terão de dar o primeiro passo.
Resumindo, a todos um enorme obrigado pelo coração cheio com que fui ontem para a cama. Adormeci com uma enorme sensação de realização, de missão cumprida e com a mais profunda convicção de que a mensagem de amor-próprio que partilho há tantos e tantos anos, seja em livros escritos, pessoalmente para uma, dez, cem ou mil pessoas, e até mesmo nas partilhas diárias que diariamente faço nas minhas redes sociais, está finalmente a tomar proporções notáveis. Não tenho dúvidas, é este o projeto para a humanidade, é este o desejo da alma e só esta tomada de consciência conseguirá salvar os afetos, a solidariedade, a compaixão e, naturalmente, o amor pelo próximo.
AMA-TE, AMARÁS TUDO O QUE TE RODEIA IMEDIATAMENTE A SEGUIR!
Obrigado pela mão dada gente querida.

terça-feira, 1 de julho de 2014

TUDO SE TREINA, TUDO SE TRANSFORMA!


A vida está em constante mudança e quem não se muda com ela corre o enorme risco de ficar para trás, perder o fio à meada e de ficar sem saber quem é e o que anda aqui a fazer. Nesse sentido, e porque sou um aficionado pelo treino e porque quase todos os dias me perguntam como me consigo manter em forma e sempre com um sorriso aberto, achei interessante abordar o exercício físico, seja ele in ou outdoor, como a metáfora perfeita para a nossa própria vida. Sim, tal e qual.
Como na vida, distingo no ginásio três tipos de pessoas:
- Aqueles que vão porque sim.
- Aqueles que vão porque alguém os manda ir.
- Aqueles que vão porque são apaixonados por aquilo e por todo o prazer e benefícios que o exercício envolve.
Na vida, e só para confirmar o que acabei de profetizar umas linhas acima, também existem os que vivem só por viver, aqueles que vão para onde for porque não sabem para onde ir e fazem tudo o que os outros querem que seja feito, ignorando as suas próprias vontades, e depois existem aqueles a quem chamo de guerreiros, onde naturalmente me incluo, que em tudo o que fazem estão a cem porcento e se entregam ao momento como se fosse, literalmente, o único e último das suas vidas. Aliás, a paixão a isso obriga e o prémio é sempre em prazer.
Treinar, assim como viver, é portanto algo a que todos temos acesso, a todos faz bem e só quem se deixa levar pela preguiça ou pela desculpa esfarrapada da falta de motivação é que abre mão de algo tão empreendedor. Aliás, e para que fique claro, a tua eventual falta de motivação não é do treino, é de veres aquilo que vês quando olhas para ti. Dói não dói? Temos pena. Olha o treino também arde que se farta, mas como o que arde cura pode ser que seja esse o caminho para a tua redenção. O que achas? Ah, sim, outra coisa, treinar não implica mexer nas finanças. Basta sair à rua, caminhar, correr ou então, e ainda mais fácil, fazer flexões ou abdominais no chão do próprio quarto. Desculpas? Desculpa, mas não aceito.
Portanto, é simples, certo? E o bem que faz à saúde? E as vezes que te desliga a mente? E a sensação de missão cumprida sempre que acabas de rastos? E a ausência de vontade de fumar ou comer mal logo a seguir ao treino? E a sensação de superação? E as pessoas que conheces? E o mais importante de tudo? A confiança! Sim, quem treina, e por todos os motivos e mais alguns, tem mais habilitações para confiar em si do que os outros. Dúvidas? Experimenta.
Por falar em confiança, partilho contigo o hábito que tenho de dividir a confiança de uma pessoa em três parcelas exatamente iguais:
- 33.3% pela forma física.
- 33.3% pela forma como comunicamos interiormente, se através do elogio ou da culpabilização.
- 33.3% por tudo aquilo que nos permitimos, ou não, sentir.
Resumindo, se não te sentes bem com o teu corpo, e já nem falo na lástima que pode estar por dentro, um terço da tua confiança foi à vida. Mais, sem essa parcela, e como deves calcular, o teu discurso interno não será soberbo e depois, naturalmente, a tua entrega também não será a mesma do que se te sentisses bem na tua pele. Ou seja, não estou a querer dizer que treinar é tudo, isto é uma metáfora lembras-te, mas que é uma peça chave no nosso equilíbrio e bem-estar, que é uma oportunidade de nos sentirmos melhor e mais vivos e um tremendo exemplo de que podemos transformar a nossa vida treinando, é. Quem se supera no ginásio ou numa corrida ao ar livre, tem ferramentas para superar seja o que for. É mais fácil. Porquê? Porque a superação obriga-nos a olhar para dentro e reconhecer o nosso caminho, as nossas escolhas e as nossas conquistas. Com isso feito, somos donos de uma consciência maior a nosso respeito e estamos, então, muito melhor preparados para a dor e qualquer vicissitude da vida.
O treino, assim como a vida, ensina-te a conhecer-te, transforma-te, muda-te e faz de ti tudo o que sempre ambicionaste ser, portanto, treina bem, alimenta-te melhor e viverás para sempre enquanto fores vivo. Sim, há uns e outros que já morreram, mas ainda ninguém lhes disse nada. Shiuuuuuuu, deixa-os pousar!
De mim para ti:
TREINA-TE, TRANSFORMA-TE E AMA-TE, TENS A TUA VIDA NAS MÃOS.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

OBRIGADO ANA TOBIAS!


"Acredita em ti, hoje e sempre, e nunca te esqueças que sempre que te desvias um centímetro daquilo que desejas vais sempre parar a quilómetro de distância daquilo que és."

... com estas palavras terminei o livro...
... mas com a certeza que daqui para a frente nada mais será como antes.... iniciei uma nova fase:

EU sou a pessoa mais importante da minha vida!

Confesso que, por vezes, não gostei da forma como (me) falaste! :)
Mas outras, só me apetecia dar-te um abraço muito apertado de gratidão por as tuas palavras me fazerem tanto sentido! Foram tantos insights!

Sei que vou voltar a abrir este livro vezes sem conta, pois quero ler e reler os trechos que deixei sublinhados, de tão inspiradores que são!

"Diz o que pensas. Afirma o que sentes." - isto nunca fez tanto sentido para mim, como agora. O que não me faz sentido é o contrário!

Obrigada porque hoje consegui resgatar o Poder sobre a minha vida, que sempre havia deixado nas mãos dos outros!

Um beijinho muito grande!
Ana Tobias






segunda-feira, 23 de junho de 2014

O AMOR...






Hoje testemunhei o amor sob várias latitudes e, de facto, o amor é a base de tudo, seja aquele que
 
sentes por ti ou aquele que sentes pelos outros! É ele que te permite rir e chorar com a mesma intensidade,
 
é ele que te liberta as palavras e solta os afetos e é ele que te empurra e entrega para a eternidade de um
 
momento. Hoje misturei-me com ele numa enorme salada de gente diferente e oriunda de ...não sei quantos
 
países. O amor não tem língua nem ideias, apenas se deixa sentir e eu senti-o, eu vi-o, estava em dezenas
 
de olhares, centenas de vezes ao mesmo tempo. Confesso que me sinto um privilegiado por ter feito parte
 
deste dia e ter estado com estas pessoas. Sinto-me maior e mais rico, mais homem também. Sim, homem
 
que é homem ama e exprime-se amando sem medo algum do que possam pensar a seu respeito. Portanto,
 
permite-te, liberta-te e entrega-te. Se o fizeres estarás, garantidamente, a amar-te e por conseguinte estarás
 
a amar os outros também.
Muita gratidão.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Confissões "COSMOPOLITAN", Abril 2014


Confesso,
relações amorosas à distância não é a minha praia.
Recordo-me da primeira, e única, vez que me aconteceu e lembro-me também da dor, do sentimento de impossibilidade, da frustração associada ao querer e não poder e do medo que a minha mente me administrava em momentos de maior fragilidade. Tinha catorze anos, é certo, ainda assim serviu-me de lição e nunca mais passei por nada semelhante.
Sou um homem que acredito profundamente no amor e nas suas mais variadas vertentes, seja por nós próprios, pelos outros ou mesmo pelas coisas e lugares que nos encantam, mas também acredito e afirmo, baseado na confiança que a minha experiência me confere, que o amor para sobreviver à passagem do tempo precisa, como um desidratado de água, de momentos de paixão.
Sim, amor sem paixão numa relação amorosa torna-se amizade.
Assim, e tendo em linha de conta esta convicção, como é possível duas pessoas alimentarem o fogo se entre elas existe um autêntico deserto que as separa do toque da carne, das respirações em uníssono e das mais variadas partilhas? Sim, podem dizer-me que hoje em dia a informatização já criou todo o tipo de atalhos para as mais variadas sensações como as chamadas telefónicas, as fotografias que facilmente se podem enviar dos lugares mais improváveis do planeta e até o skipe que apenas, e aparentemente, separa as pessoas por uma fina tela de vidro, mas e o resto? E a verdade? Sim, a verdade? Ou alguém pensa que isto é comparável ao afeto, ao colo, aos orgasmos ou até a uma mão dada? Nem pensar.
Agora, com isto não quero dizer que as pessoas que vivem esta distância neste momento devam terminar a sua história, não é isso, só quero afiançar-lhes que a ausência de sensações reais, de paixão pura e dura, poderá pôr em causa o amor que sentem e a vontade de permanecerem juntos. As dúvidas de um transformar-se-ão em medos no outro, portanto ou se alimentam de paixões fora dessa cúpula, seja em hobbies, amizades, viagens e afins ou caminharão diariamente no fio da navalha, naquela linha muito ténue que separa o prazer da culpa, os sonhos da desilusão e a felicidade da tristeza.
Tudo o que vale a pena nesta vida é aquilo que sentimos; o que pensamos, e a distância espreme-nos em pensamentos nem sempre saudáveis, é mau entretenimento.
Por mais calamitosa que possa ser a distância que tens do outro, pior e mais trágica é a distância que possas sentir de ti por te resignares a ter de viver longe. Mas olha, escuta uma coisa, não tens, apenas escolhes fazê-lo.
E não penses nisto; sente… e depois atua em conformidade.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Confissões "COSMOPOLITAN", Janeiro 2014


                                                                        Confesso,
é a expectativa que mata os relacionamentos. É essa crença no vazio e essa criação desavergonhadamente condicional que esfola as pessoas colocando-as uma contra a outra e que depois as estrangula de palavras não ditas e sentimentos mal interpretados até o ar não ter onde circular. Expectar é antever um resultado que tu, simplesmente, não controlas e as probabilidades de as coisas não acontecerem no tempo que tu desejas, da forma que tu queres, com as palavras certas no momento certo e com os sorrisos e abraços devidos, são enormes, quase imensuráveis. Raramente uma expectativa traz um final feliz e assim é porque tu visualizaste a forma como tu darias, como tu farias e como tu reagirias. Acontece que tu és tu, não és o centro do mundo, e ninguém é igual a ti.
Resumindo para concluir e passar adiante: a expectativa é sempre o início de um fim lento e absolutamente doloroso.
Agora, e o que fazer para contrariar tal padrão de comportamento? Simples. Tomar a iniciativa e fazê-lo de uma forma absolutamente incondicional. É o nosso desejo, sem dependências nem criações malucas da cabeça.

Dois exemplos muito concretos:
A)     Criar expectativa relativamente a um pedido de casamento. O pedido não sai e somam-se as invenções na cabeça sobre tal ter sucedido: “Já não gosta de mim”, “Não sou suficientemente boa”, “Tem outra”, blá, blá blá.

B)      Criar expectativa relativamente a viver juntos. O homem ainda não quer e, uma vez mais, somam-se as invenções do costume: “Não sabe se gosta de mim”, “Tem medo ou vergonha de me assumir”, Não tem a certeza acerca da relação”, blá, blá, blá.

Dá para rir, certo? Quanto maiores e mais apuradas forem as invenções, maior o domínio da mente sobre as sensações e é precisamente isso que mata qualquer tipo de sentimento, por mais forte que seja.
Solução A : se te queres mesmo casar com essa pessoa, pede-a tu em casamento e se ele não mostrar disponibilidade nesse momento, aceita e serenamente faz por saber a razão dessa falta de sintonia em vez de te pores a inventar finais que apenas te levarão do sonho a um mar revolto de pesadelos.
Solução B : se estás mesmo disposta a viver com essa pessoa, surpreende-a com essa intenção, mas fá-lo sem expectar que essa seja a melhor notícia da vida dele. Fá-lo para lhe mostrar que respeitas as tuas vontades e que queres assumir tal compromisso porque sentes que encontraste a pessoa certa para o fazer. Um eventual “Não” da outra parte não significa que não te ame, significa que terão de se conhecer melhor.
Qualquer pessoa que seja perita em expectativas, leva para dentro de casa uma terceira entidade: o seu ego. E essa traição será sempre, mais tarde ou mais cedo, insustentável e responsável pelo final dessa relação.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

ATÉ JÁ PRINCESA!



Nunca antes tinha testemunhado o desprendimento de ninguém, o início da grande viagem nem a mudança para a eternidade do ser ou coisa alguma. Vi ontem. E tive a honra de presenciar tamanho acontecimento na primeira fila, mesmo ao lado da protagonista, a mulher mais importante da minha vida.
A minha avó partiu serena como ela era. Como ela merecia que fosse. Ao seu lado estavam as pessoas vivas que a amavam e seguramente outras tantas que já a haviam amado e apenas ela conseguia vislumbrar. Foi perfeito.
De apneia em apneia, cada vez maiores e mais constantes, houve um momento em que senti a aproximar divino que a iria tomar. Sim, houve uma certeza que me garantiu no peito que a minha avó ascenderia em breve. Comuniquei, então, que uma força maior acabara de chegar à sala e os mesmos de sempre, os únicos que sempre estiveram ao seu lado, levantaram-se para lhe prestar a derradeira homenagem em vida. Todos sentimos o momento com a intensidade que o momento exigia. Em total respeito, com a maior das admirações.
Não houve dor. Apenas amor.
Eu estava de mão esquerda dada à sua mão esquerda e tinha a minha mão direita deitada na sua testa como se uma autorização fosse para a passagem. A minha mãe tinha a sua mão direita dada à mão direita dela e a sua mão esquerda espalmada no seu peito como se fosse a chave que precisava para aceder à luz. E a minha tia massajava-lhe as pernas de baixo para cima e de cima para baixo como se um balanço fosse para o grande salto.
Foi assim que a minha avó partiu. Levada em braços por nós, amparada por eles.
As lágrimas só tomaram lugar quando fiquei sozinho. Não sou homem de conter emoções. Chorei, chorei muito até adormecer. Para quê guardar o que quer que seja? Nada é nosso. É preciso, sim, libertar e foi o que fiz, é o que estou a fazer neste momento e o que continuarei a fazer durante os próximos meses, até concluir o mestrado que tirei com ela. Confesso, e em primeira mão, que já estou quase a fechar o terceiro capítulo do livro mais bonito que alguma vez escrevi. Sei também que continuarei a ser guiado por ela e que continuarei a vê-la em sonhos, pois a nossa missão não acabou. Ela apenas foi para onde a sabedoria é mais fina, para um lugar onde pode correr, saltar e voar ao invés da dependência que a tomou nos últimos meses. Beneficiarei disso, beneficiaremos todos. A história que vai do norte ao sul do meu aprendizado com ela será inspiradora como ela sempre foi e como sempre me ensinou a ser.
É a si, avó, que devo a maior aprendizagem de todas, a que devemos ser sempre as pessoas mais importantes da nossa vida para que consigamos dar amor, apenas amor, a todos aqueles que nos rodeiam.
Até já princesa.  

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Confissões "COSMOPOLITAN", Dezembro 2013


Confesso,
o Natal é uma época pela qual só me apaixonei muito recentemente. Desapontava-me a febre consumista, o condicionalismo das pessoas ao oferecerem presentes com um olho no que davam e outro no que podiam vir a receber, e o estar à mesa na noite de consoada com familiares desesperantes porque tinha de ser ou porque parecia mal não estar ou porque se podia ferir suscetibilidades alheias se a nossa presença não se fizesse notar.
Desencantava-me o Natal porque não mora encanto na ausência de valores, no esforço e na contrariedade. Percebi mais tarde que, afinal, era eu a origem deste bruxedo. Era eu que, mergulhado na penosa e implementada tradição, escolhia comprar sem vontade, criava expetativas quanto ao que poderia vir a receber e escolhia jantar à mesa com pessoas, por si só, enfeitiçadas pela agonia das suas vidas.
Afinal era eu, apenas eu. Somos sempre nós.
Hoje, tudo é diferente. Hoje não me rejo mais pelos padrões sociais. Não compro se não o sentir, nada espero em troca e muito menos vou parar a casas onde se respira tudo menos o digno e merecido ar de um verdadeiro lar. Hoje não tenho medo de magoar ninguém com a minha ausência, não me preocupa sequer o que possam pensar nem invisto um pensamento que seja na possibilidade de voltar a ser o que era para agradar a todos menos a mim.
Já chega.
O Natal é uma celebração, como tal, por que não aproveitar a data para pôr finalmente um fim a fretes, a favores e às habituais faltas de respeito que tens vindo a ter contigo? É claro que se vives numa relação amorosa terás de encontrar o equilíbrio entre as partes, contudo essa harmonia não pode de forma alguma ser negligenciada por ti, seja impondo a tua verdade ou vestindo a pele da passividade. Quem ama cede, é um facto, mas quem se ama não permite veleidades contra si mesmo. O que fazer então? Comunicar, e se em última instância não houver acordo entre o casal, só há uma solução: cada um passa a noite onde se sente verdadeiramente feliz. É isso que importa. Caso contrário, está o caldo, ou melhor, o peru entornado, pois pelo menos uma das partes dirá no final da noite que existe um culpado para a triste ceia que passou. Sabes do que estou a falar, certo? Já passaste por isto, não já? E então, é isto que continuas a pretender? Não, pois não? Então que tal, e de uma vez por todas, expores o que sentes e agires em conformidade com a tua vontade? Escolheres o melhor para ti? E estares com quem verdadeiramente te apetece? Se for a dois tanto melhor, mas se não for certifica-te do seguinte: o mundo não acaba nessa noite. O que pode acabar, e para sempre se continuares a infringir o que sabes ser melhor para ti, é a esperança de um dia te respeitares e receberes a melhor prenda do mundo: ser feliz.
Somos os comandantes da nossa vida, somos nós que escolhemos a rota do nosso destino e abdicar deste poder com medo de magoar seja quem for é assumir que não há problema nenhum em fazê-lo connosco. Se assim for não esperes que nenhum velhote, simpático e de longas barbas brancas, desça pela tua chaminé. Não mereces.
Feliz Natal

domingo, 27 de abril de 2014

quarta-feira, 23 de abril de 2014

in "A FORÇA DAS PALAVRAS"!


(...)
Existimos para sentir, pois essa é a ponte para sabermos quem verdadeiramente somos. Existimos para dar asas à nossa imaginação e voar, para escrever a mais bela história que vai do norte ao sul da nossa existência e, com ela, quem sabe, inspirar quem fica quando partirmos. Existimos para passar o testemunho de que é possível dançar por entre a tempestade e de que é possível sermos felizes independentemente de onde fomos colocados à partida e nada, nada de nada, nos garante com tanta exatidão que tal é exequível como a paixão.
É quando rimos e choramos, quando nos fundimos com o prazer e a dor que nela vivem implícitos, e quando nos damos ao ponto de nem perceber o que estamos a receber que temos a certeza que estamos vivos. Nada é mais eterno na nossa cabeça e na nossa pele que o sabor de um beijo vadio ou a tomada de posse de um corpo desejado numa noite inesperada. Podem passar-se anos, décadas até, recordarás sempre aquelas horas como as últimas da tua vida, pois é quando perdes o controlo que ganhas lugar na história.
(...)

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Confissões "COSMOPOLITAN", Novembro 2013



Confesso,
farto-me de rir com a expressão “não tenho tempo para nada”.
Quantas horas têm os seus dias? E quantas horas têm os dias no Quénia? E nas Maurícias, no Vietname e na Antártida? Vinte e quatro, certo? Então se é assim em todo o mundo, porque é que se queixa que “nunca tem tempo para nada”? É mais que os outros? Só se for mais distraída e alienada da realidade que a rodeia. O seu problema não é a falta de tempo, é a total e descabida ausência de gestão do tempo que tem, mil quatrocentos e quarenta minutos todos os dias. É estranho, mas a falta de tempo tornou-se, e porque dá muito jeito, num dos grandes e brandos costumes da nossa sociedade, servindo de justificação para tudo. Os preguiçosos, os fazeres humanos (aqueles que acham que são o que fazem) e as vítimas agradecem. Há quem acredite nisto e até fomente esta crença, mas eu não e é por isso que o texto não acaba aqui.
Por muito que lhe custe a acreditar e por muitos argumentos, prontos a disparar da sua voz, que até considere válidos para justificar tamanha inverdade, a verdade é que as horas, os minutos e os segundos que dispomos diariamente chegam perfeitamente para sentir, trabalhar e dormir, ou seja, para vivermos as nossas paixões e cumprir com os nossos deveres, criar e produzir e, posteriormente, descansar. Isto só não acontece quando as pessoas ocupam os seus dias inteiros com as lamentações do costume, as queixas e as aparentes injustiças de que, pelos vistos, as suas vidas são pródigas. O tempo só não é suficiente, e nunca será, se a sua mente se puser constantemente ao barulho. Sim, quantas vezes já ficou petrificada, inerte, porque a sua mente está a mil rotações por segundo? Uma mente imparável corresponde sempre a um corpo estagnado e a uma alma vazia. Quando se ri, não está a pensar, certo? Quando beija e faz amor também não, pois não? Mas se porventura estiver, pode ter a certeza de uma coisa, o riso amarela, o beijo fica quadrado e o desejo evapora. Não é possível ao ser humano pensar e sentir ao mesmo tempo e é por isso que as pessoas dizem que não têm tempo para nada. Para nada do que verdadeiramente importa, os sentidos. Os dias passam, nada as apaixona porque a mente não lhes permite sentir seja o que for, as emoções vão-se toldando e a tristeza impera. Quantas vezes já deixou de ir ao ginásio, estar com as amigas, comprar uma lingerie para surpreender o namorado ou programar um fim-de-semana romântico porque não se organiza nem impõe os seus horários deixando-se ficar horas a fio no escritório revoltada com essa situação, ou em casa a dormir, ou a inventar todas as desculpas e mais algumas para não ser feliz? Quantas vezes já deixou de fazer tudo isso porque não se respeita e não se dá ao respeito? Quantas vezes já se prometeu a si mesma que amanhã é que é o dia de começar a treinar? Quantas vezes já se arrependeu de não ter estado com as amigas porque não se sentia boa companhia para ninguém? Quantas vezes já lhe passou pela cabeça comprar uma lingerie e não o fazer porque não sabe como o namorado vai reagir? E quantas vezes já lhe apeteceu programar um fim-de-semana romântico e não se permitiu porque tem imensas coisas para acabar de fazer no trabalho? Todo este processo consome horas à pessoa, inibe-a de qualquer vontade e atira-a para um poço profundo chamado depressão, onde a luz escasseia, o ar pesa toneladas e a vontade de viver se escapa pelos dedos da mão. Já viu o que se anda a fazer? Já alguma vez tinha pensado naquilo que é verdadeiramente importante para si? Já alguma vez definiu a sua lista de prioridades? Todos os exemplos que acabei de dar são esquemas da mente e a mente chama-se mente porque nos mente todos os dias, fazendo-nos acreditar nas histórias mais maquiavélicas e mirabolantes que podemos imaginar. Acredite nos seus instintos e respeite as suas vontades, só assim conseguirá destronar a sua mente, voltar a sentir, produzir e dormir descansado.
Parta, portanto, do princípio que todos os dias tem oito horas para a sua vida pessoal onde estão incluídas as suas paixões e os seus hobbies, mas também os deveres e as responsabilidades que contemplam a sua vida, mais oito horas para a sua vida profissional e ainda outras oito horas para descansar. Naturalmente terá de fazer os respetivos ajustes à sua realidade, como tirar uma hora de um lado e colocá-la no outro, mas nunca subestime nenhuma destas fatias da sua vida. É no equilíbrio que está a nossa maior virtude e dependemos apenas de nós para o encontrar.
Deixo-lhe uma última nota para posterior reflexão: a maioria das pessoas usa mais a expressão “não tenho tempo para nada” do que a palavra “amo-te”, o que significa, inclusivamente, que deixou de haver tempo para amar. O que sente a este respeito? Expresse-se. Tem todo o tempo do mundo!


domingo, 20 de abril de 2014

in "A FORÇA DAS PALAVRAS"!


(...)
O nosso índice de confiança dispara em cada experiência que escolhemos viver e como já todos experimentámos já todos sabemos disto. Não se trata de novidade nenhuma para ninguém e se não o é, do que é que estamos, então, à espera para experimentar mais e melhor?

Se a possibilidade de nos tornarmos mais conscientes a nosso respeito e potenciarmos a nossa relação interna se encontra ao virar da esquina por que razão não a dobramos?

É claro que, facilmente, se pode deturpar o que ando para aqui a dizer com as más experiências, com aquelas que infligiram dor, tristeza e até bloqueios, mas isso nada tem a ver com a prática em si, fomos nós que lhes demos o significado errado. E como é que se dá o significado que não interessa? Já o disse inúmeras vezes, remetendo-nos exclusivamente ao resultado ou seja, e por exemplo, a algo do género:

- Eu experimentei entregar-me e ela deixou-me
- Eu experimentei falar com o meu chefe e ele despediu-me.

Em ambos os casos, e é bem visível, estamos a sobrevalorizar apenas a parte má da história, ou seja, naquilo em que resultou, sabotando, assim e sem qualquer misericórdia, todas as conquistas que alcançámos no percurso até nos sentirmos confiantes para passar à ação.

- E o medo que superei até me permitir sentir?
- E os bloqueios que curei?
- E o poder da entrega?
- E o prazer de estar no “Agora”?
- E a coragem que descobri em mim por conseguir dizer o que pensava e sentia ao meu patrão?
- E a força que agora sei ter?
- E a certeza de que sou capaz? De que tudo me é possível? E de que mereço sempre mais e melhor?

Pois é. Já tinhas pensado nisto? Acredito que tenha doído o facto de deixares de estar com uma pessoa que amavas ou que seja muito triste perder o emprego e ter de apertar nas contas mensais, mas e o que ganhaste?
(...)

sexta-feira, 18 de abril de 2014

in "A FORÇA DAS PALAVRAS"!


Eu também, e há muitos anos atrás, já passei por esse labirinto, pelo não me reconhecer e pelo não dizer aos outros o que pensava e sentia para não correr o risco de perder as pessoas ou o emprego, para não magoar e blá blá blá...
Sabes o que ganhei? Nada. Ou melhor, ganhei sim, ganhei tensão alta, raiva, rancor, culpa e agressividade. É isto que tens sentido, certo? Deixa-me dizer-te, então, que enquanto forem apenas estes os sintomas não estás nada mal, é que a seguir, e se mantiveres o mesmo padrão de comportamento, qualificas-te automaticamente para a liga dos campeões das doenças. Falo-te de cancros, AVC´s, depressões, fibromialgia e por aí adiante. É verdade, as palavras não ditas a teu respeito e a quem o devem ser, geram as piores enfermidades.
No meu caso pessoal escolhi mudar e felizmente fi-lo a tempo de evitar males maiores para mim. Sou saudável sim, mas sabes o que mais ganhei? Confiança e respeito. Confiança em mim e o respeito dos outros. Mais, uma espécie de capacidade para aceitar as minhas decisões menos felizes e seleccionar naturalmente as pessoas. Umas escolheram ir-se embora, de rabo entre as pernas, ameaçadas que se sentiram pela minha força, e outras foram irradiadas sem que para isso existisse alguma obrigação, dor ou pena. Nada. Sempre que confias em ti és respeitado pelos outros. É uma lição de vida. E sabes porquê? Porque poucos confiam, logo, querem ser como tu. Sem saberes, e apenas por dizeres o que pensas e sentes a teu respeito e a respeito dos outros, tornas-te num modelo de inspiração, numa referência a seguir, numa pessoa exemplar.
                                                                                 (...)

terça-feira, 15 de abril de 2014

in "A FORÇA DAS PALAVRAS"!


(...)
Uma pessoa confiante terá sempre um percurso ascensional e, quer queiramos ou não, será praticamente indestrutível, pois perante qualquer desafio erguer-se-á como um daqueles “sempre em pé” que não se cansam de levantar a cada tombo. Está-lhe no ADN, está-lhe no coração mas, acima de tudo, está-lhe na mente. Sim, e como já referi, uma pessoa confiante é dona e senhora de uma mente altamente treinada e domesticada. As vozes que ouve a cada fracasso seu dizem-lhe para persistir sempre, para arriscar mais uma, duas, três vezes até conseguir e gritam-lhe bem alto ao ouvido que para ela tudo é possível, que ela merece o melhor e que é capaz seja do que for. Ora, será que isto é fácil? Não, claro que não. Atrevo-me até a dizer, e por experiência própria, que é uma conquista morosa, dura, dolorosa, mas absolutamente necessária. Estou a falar do quê? Do poder das palavras que nos dizemos, pois está claro, e do resultado que obtemos sempre que nos ouvimos. Uma coisa é certa: tudo o que te disseres de bom ou de mau será levado a sério por ti, portanto muita atenção ao diálogo interno que tens contigo, ele pode potenciar-te ou estar sistematicamente a envenenar-te.
(...)

segunda-feira, 14 de abril de 2014

in "A FORÇA DAS PALAVRAS"!


(...)
Durante o teu dia-a-dia escolhes múltiplas vezes e ocorrem inúmeras situações que não controlas, certo?
Vamos imaginar o seguinte: em dez escolhas que fizeste, nove correm bem e uma corre mal. Em qual vais viver focado o resto do dia, porventura o resto da semana e, se fores muito mauzinho contigo, o resto do mês? É um facto. Na má, certo? E porquê?
Não, não fiques à espera de uma explicação minha. Jamais alimentaria essa conduta.O que é importante salientar é que em dez acertaste nove.
O que te disseste a esse respeito?
Congratulaste-te?
Premiaste-te?
Que valores e convicções reforçaste sobre ti?
Provavelmente pouco ou nada.
É ridículo, certo?
Mais, é um pecado. É que o resultado dessa escolha, pela forma como a empolaste, veio sujar a quase mácula do teu dia e tu vais levá-la para a cama, para todas as tuas relações, para o dia seguinte e por aí adiante. Escolheste carregar o teu próprio veneno, subvalorizando-te, e agora mesmo que as melhores coisas da vida estejam à tua frente, e estão, não conseguirás vê-las. Não tenho pena nenhuma de ti, mas é uma pena que te faças isso, pois a inflamação desse discurso interno dará cabo de ti nos próximos tempos. Porque será que custa assim tanto um mero elogio? Porque será que é assim tão simples dar cabo de nós? Eu sei, mas não te vou dizer ainda.
(...)