terça-feira, 30 de outubro de 2012

"S"ente e "T"erás a "O"portunidade "P"erfeita


A crise, parece-me a mim, é a nova caça às bruxas. A inquisição dos tempos modernos. Quem não fala nela, deve ser atirado para o fogo. Tornou-se numa religião tão fundamentalista que quem não acredita, não comenta nem investe o seu precioso tempo a reforçá-la ou a angariar mais medrosos para a referida seita, não merece o reino dos céus.
Constato isto em todo o lado, mas neste momento refiro-me, unicamente, a alguns comentários de gente abstracta no meu blogue que, talvez por não saberem quem são, nem sequer se identificam e me culpam e julgam por ter uma atitude tão positiva perante a vida. Em alguns deles, até me pedem para “acordar” desta vida “Zen” e olhar para o mundo real. Hilariante. Hilariante, mas, por outro lado, igualmente preocupante, pois a massa social ainda se rege por esta dor, legítima para uns, moleta para outros. Sim, para muitos, esta crise é a melhor invenção do mundo a seguir à roda, pois serve-lhes de justificação para a preguiça com que sempre encararam a vida. Preguiça emocional e das sensações. Mas é assim, quando não te mexes e dás as coisas como adquiridas, a vida vem e tira-te tudo para que, finalmente, te ponhas a mexer, a descobrir a tua capacidade de superação e, naturalmente, quem és. Mas enfim, e como estava a dizer, as suas palavras, incapazes de reconhecer qualquer tipo de mérito ou de expressar qualquer réstia de esperança, são de uma violência tão atroz, a mesma com que certamente culpam os outros pela vida que têm, e, sei eu, a mesma com que se tratam a eles mesmos quando estão sozinhos e não têm ninguém para culpar, que não lhes posso ficar indiferente. A ética diz-nos que devemos estender-lhes a mão, abraçá-las e reconfortá-las. Eu não. Eu estou-me nas tintas para a ética, assim como para a crise e para toda e qualquer religião que fomente a dependência e o medo nos homens.

Tenho 35 anos e só eu sei o meu percurso de vida, como tal, se eu fui capaz, os outros também são. Dar-lhes-ei a mão sim, e dou todos os dias, quando eles tomarem a iniciativa de a estenderem, nunca enquanto forem incapazes de acreditar em algo bom ou me atacarem seja de que forma for. A esses, elimino-os da minha vida, passo incólume e sigo desperto. Sim, desperto! Só os despertos podem ser felizes neste mundo. As vítimas serão sempre vítimas, marcha lenta a caminho do inferno.

Escrevo o que muitas pessoas adorariam ter a coragem de escrever e faço-o porque sou uma voz ativa, um exemplo de determinação e alguém que nunca vira a cara à luta, seja à minha, seja, e se mereceres, à tua, portanto podes atacar-me à vontade. O meu corpo é imune às tuas balas, aliás é ricochete e quem se fere és tu. Ainda mais.

Sigo o meu caminho. Sigo feliz. 

4 comentários:

  1. Meu querido Gustavo!
    As tuas palavras são sempre sábias e inspiradoras.
    Eu continuo a pensar que existem realidades que não são assim tão fáceis de mudar, porque infelizmente muitas portas e janelas se fecham para muita gente. Porque ninguém escolhe ficar pobre ou escolhe passar fome e infelizmente há muita gente actualmente que nunca soube o que isso era e agora sente na própria pele. Terá sido por más escolhas no decorrer do tempo de vida? Muito provavelmente. No entanto não deverá ser motivo para se pendurar nesse facto e ficar o resto da vida a queixar-se da vida, do governo, da crise, do tempo, do trânsito, do vizinho, do filho, pai, irmão, tio e do papagaio!!!!!

    Ninguém que leia este meu comentário me conhece a mim ou a minha história nem mesmo a história da minha família... e se hoje sou uma privilegiada, os meus pais nunca o foram! Chegaram mesmo a passar fome, a não saber se no dia seguinte teriam comida suficiente para eles mesmos, os seus pais e irmãos. Cresceram de uma forma que eu nunca irei sequer imaginar. No entanto e em tempos em que o próprio FMI estava em Portugal o meu pai arriscou a seguir a sua paixão e a fazer aquilo que sabia fazer contra todas as probabilidades e com muitas pessoas a dizerem "não faças, vais-te dar mal!"... Pois ele fez e hoje não se pode queixar. Trabalhou muito, chateou-se várias vezes, deixou de dormir umas quantas noites, lutou, batalhou e conseguiu... conseguiu dar-me a mim tudo aquilo que ele nunca teve e muito mais!! E conseguiu sem grandes ou talvez nenhuma ajuda e quando tinha apenas uns trocos no bolso... mas começou de baixo sem prepotência e com muita humildade, mas também ambição, persistência e confiança!

    Se ele conseguiu, eu conseguirei também... e qualquer outra pessoa o consegue!!! Basta querer, basta trabalhar para isso e basta acima de tudo Acreditar que é possível.

    Beijinho no coração Gustavo!

    Tu mereces!

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  2. Grande Gustavo! Continua agitar as pessoas, pois estas pessoas continuam alimentar-se e a devorar a crise. Muita gente a consumir crise, que até mete nonjo. Bastava de deixar ouvir e ver a tal crise mais que fundamentada nos media que faz correr tinta e imagens, para que o nosso mundo fosse um pouco melhor todos dias.. Mas estas pessoas preferem-na consumir para continuarem a queixar-se, e ganharem razão nas suas escolhas fracassadas. A mudança é díficil, mas a preguiça de serem elas na sua essênçia é muita, e capacidade de acreditarem neste estilo de vida Zen ou de energia positiva para elas ou para alguma está a anos de luz, Há mts mentalidades para reformar de vez!!! Continua agitar.. um bem haja!!

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  3. ... quero ser como tu :)

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  4. Não conheço os teus livros, nem sequer sou leitora habitual do blog mas provavelmente vou passar a ser. Desconheço o teu percurso, a forma como despertaste para a visão positiva da vida ou se sempre foste assim.
    Se a crise desaparecesse por nos queixarmos, poderíamos todos tornar-nos uns coitadinhos e ver a crise a desaparecer. Mas não desaparece. E de certeza que tudo fica mais fácil se olharmos pelo lado bom.
    Não sou como tu. Não tenho essa força, essa energia positiva. Não tenho... ainda! :) Vou passar por aqui mais vezes seguramente.
    Obrigada pelas palavras!

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