quarta-feira, 24 de outubro de 2012

DANÇA PARA VIVER


- Do que é que gostas mais quando estás a dançar?

- De ter os olhos abertos e não ver nada. De não pensar. De viver o momento. De sentir que domino o espaço e o tempo e que sou, exactamente, o que deveria ser. Uma mulher poderosa, dona de um poder absoluto, uma deusa digna de ser contemplada, capaz de possuir quem quer... e possuo, mas o prazer é todo meu. Eu toco sem tocar e nunca sou tocada. O que os outros conseguem alcançar é apenas o fogo de artifício que explode de cada canto meu e o êxtase do meu gozo. Os olhares na minha direcção alimentam-me. Eu não os vejo, mas sinto-os presos a mim como se de mim dependessem. E eu sacio-me disso... puro capricho.

A totalidade... não há mente, apenas emoção.

Sou um turbilhão de energia, uma onda única e contínua onde o movimento impera e habita. O meu coração, juro-vos, pulsa consoante as diferentes batidas de cada música. O corpo... adoro vê-los coreografados e limpos, como uma orquestra afinada. É paixão o que eu sinto. É de amar que eu gosto.

Eu sei que o que acabei de vos dizer pode roçar o foleiro, mas o que vocês me pediram foi para falar de uma fusão perfeita que não faz parte deste mundo, logo, não dá para verbalizar muito bem.

Deixa-me só partilhar uma última coisa convosco. É uma ideia muito minha. A humanidade não tolera a hipótese da plenitude enquanto ela se encontrar fora do seu alcance, mas a verdade é que eu a sinto quando danço... para mim é fácil atingir a mítica felicidade com uns simples ténis calçados, pessoas para os meus olhos e uma música de fundo.

in "A Dança da Vida", 2010

1 comentário:

  1. "Dançar é esculpir com música , dar côr às emoções "

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