segunda-feira, 15 de outubro de 2012

APENAS O MOMENTO É PERFEITO


E lá estavam eles, sozinhos como sempre, talvez por ninguém imaginar que é nas traseiras dos castelos que moram as portas do paraíso.
Deus não os recebeu, não era necessário mostrar-lhes a casa. Eles conheciam-na como ninguém, sabiam dos seus segredos, pois eram deuses como Ele, hóspedes do costume, penetras do Olimpo.

 Ali estavam, abraçados ao sabor do vento frio, mas inócuo, que arrastava na sua gentil brisa memórias de outras vidas, quem sabe dentro daquelas mesmas muralhas que os agarrava ao momento. Sem tempo, o momento pode ser, pode comer-se e beber-se. Digerir-se-á ao longo da vida, garantindo o seu lugar na memória da pele de quem ousa senti-lo.
Ali estavam, mais perto do céu do que da própria terra que pisavam, entre nuvens que desenhavam rochas e colinas engolidas pela nébula. Entre suspiros indisfarçáveis, respiravam como podiam, sustentados pelo verde que os reanimava quando o beijo era demasiado louco.

Longos silêncios capazes de atormentar os espíritos que por lá viviam, induziam a cena para o amor num final de tarde. Nos olhos um do outro, e no intervalo do motim das línguas, remanesciam significados para aquela história, razões para se deixarem levar pelo beijo do vento que insistia em respirar leve e motivos para se permitirem cair na vertigem da entrega.
Ali estavam, sozinhos mesmo que o ruído das grandes cidades se atravessasse no meio deles, pois estavam só um no outro e assim é a intimidade, o mundo pode estar aos gritos, mas se dois apaixonados se olharem apenas nos olhos um do outro, sentir-se-ão como se o fim do mundo os tivesse exclusivamente salvo a eles.

Ali estavam, salvos pela mão dada, sobreviventes do amor. Juntos não eram um porque o “um” é pouco. Juntos eram o horizonte, a linha que nunca se alcança, um livro sem capítulos onde a poesia se dá sem parar, esfolhaçado pela doçura do vento, mel nas suas bocas, eram as asas que ninguém tem.
Ninguém os viu, ninguém os ouviu, ninguém os cheirou.
Ninguém imagina que é possível amar assim.

2 comentários: