quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Revista Zen - Outubro 2012



Quem és tu para me julgar? Conheces-me? Conheces a história que está por detrás daquilo que vês quando olhas para mim? Viveste ao meu lado na minha infância e durante a minha adolescência? Os meus pais foram os teus? Partilhámos as mesmas experiências e somámos os mesmos traumas? Não, pois não? Então cala-te. Não percebes que quanto mais me julgas mais te afastas de ti?

O julgamento é, na minha opinião, a maior cretinice do ser humano. Quem julga por natureza habituou-se a encontrar defeitos em tudo o que vê, ouve ou encontra feito, mas pior, é o facto de se considerar um eterno dono da razão, unicamente capaz de olhar para o mundo consoante a sua própria concepção. Para um dono da razão nada mais importa que o que ele crê como certo ou errado, bonito ou feio e útil ou inútil, de nada adianta a verdade dos outros e pouca relevância tem a pessoa que tiver uma opinião contrária à dele, portanto não a ouve, não lhe dá espaço nem quer falar sobre ela. É curioso como estes donos da razão são, precisamente, aqueles que vivem alienados sobre quem são e a razão pela qual andam aqui, ou seja, apesar de terem opinião sobre tudo o que está fora deles, nada sabem acerca do que se passa dentro. Se pertences a esta estirpe e acordaste agora para a tua triste realidade, toma consciência do seguinte: não é possível conheceres seja quem for por inteiro porque não é possível entrares na mente de ninguém e nesse sentido é uma profunda injustiça apontares-me o dedo sem um verdadeiro conhecimento acerca da minha causa. Faz-te sentido? Tenho uma pergunta para ti: o que ganhas em julgar as pessoas? Espero que me respondas até acabares de ler este artigo.

Sempre vivi debaixo do julgamento dos outros, sempre sofri com isso, mas também sempre lutei pelos meus ideais e nunca desisti de nenhum deles independentemente da culpa que me punham às costas. Um dia deixei de dar ouvidos a uns, mudei o significado a outros, expulsei outros tantos da minha vida e, com esta tomada de consciência, libertei-me. Hoje ninguém me julga, ninguém me culpa de nada e tudo o que recebo são reforços ou estímulos para ser um homem cada vez mais feliz. Se eu fiz isto, tu também podes fazer. E por favor, nunca abdiques dos teus sonhos ou daquilo que desejas, esse é o alimento de quem te julga. Acredita em ti, escolhe as melhores pessoas para caminhar ao teu lado e inspira, quem sabe um dia, em vez de te julgarem ainda te passam a admirar. Sei bem do que te falo.

Já respondeste à minha pergunta? Ou vais julgar-me por isso?

Paz,

Gustavo Santos

4 comentários:

  1. Adorei, Gustavo. Adorei.
    Já disse que adorei este post? :)
    Revejo-me nele totalmente.

    Paz e obrigada pelas tuas palavras que fazem sempre tanto sentido, em nada vazias.

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  2. Como eu me revejo neste post, toda a minha vida fui julgada. Ainda hoje os supostos amigos eram os primeiros a apontar o dedo em vez de darem sugestões construtivas. Hoje sou uma pessoa insegura e sempre com medo da avaliação dos outros. Aos poucos fui aniquilando os pseudoamigos e disfrutando das pequenas conquistas que fui fazendo sozinha neste percurso doloroso que é a vida.
    Vagarosamente vou descobrindo excelentes qualidades que possuo em vez de ver os defeitos que alguns teimavam em realçar em mim.
    Hoje gosto mais de mim, acredito mais em mim!!!

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  3. Não,não julgarei !!! prefiro ficar a "olhar" demoradamente para mim ...

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  4. Parabéns mais uma vez, assim é bom acreditar que há "pessoas" na vida que nos inspiram. Verdade absoluta.

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