quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Revista Zen - Maio 2012



Eu ensino o meu cão a "sentar", "deitar", "ficar", correr ao meu lado e apanhar bolas para depois mas entregar na mão; ele ensina-me brincadeiras novas, a tolerar, a aceitar as diferenças e a saber ouvir no silêncio mas, sobretudo, já ampliou o meu conceito de amor, já reforçou a importância que dou ao "Agora", já me levou a escolher melhor e inúmeras vezes me convidou a ir bem dentro de mim. É notório perceber quem tem mais a ganhar nesta relação, ainda assim, nunca me pediu nada em troca, apenas amizade! Tenho desempenhado esse papel o melhor que sei.

Bom, mas vamos, então, viajar até ao princípio deste nosso romance.

Eu chamo-me Gustavo Santos, tenho quase 35 anos e sempre apreciei a liberdade de não ter nada nem ninguém a depender de mim, o meu cão chama-se Sôtor Santos, tem dois anos e meio e em minha casa não podia depender de mais ninguém.

Confesso que de início não foi fácil lidar com a mudança, nunca é. Ele acabara de nascer e não conhecia o mundo, eu não conhecia o mundo com ele e precisei de renascer. Chorei algumas vezes sem saber o que fazer e ele ganiu outras tantas sem saber como se explicar, mas depois das turras, do desconsolo e da frustração, comecei a vislumbrar o mar de oportunidades com que ele me presenteava diariamente. Levei algum tempo até entender que ele simbolizava o passaporte para eu deixar a minha zona de conforto, para ir mais além e encontrar o melhor em mim, mas uma vez conquistada essa consciência, não hesitei, e escolhi aceitar o desafio, rumar ao meu interior e descobrir o que ainda tinha para dar. Os meus valores saíram reforçados, assim como a minha confiança e daí em diante passei a acordar todos os dias com a profunda convicção de que, juntos, seriamos mais fortes, verdadeiros gigantes. As suas traquinices não passaram de um dia para o outro, mas eu passei a dar-lhes outro significado, quero com isto dizer que, por exemplo, em vez de o culpar por tudo e por nada, parava por uns instantes e esforçava-me por descodificar o que ele me queria dizer. Aprendi a ouvi-lo, a respeitar as suas necessidades e a amá-lo.

 Eu mudei e ele mudou.

Emociono-me sempre que falo ou escrevo sobre o meu cão, pois ele foi um dos maiores desafios da minha vida, um desafio que venci e hoje usufruo de todos os predicados que uma relação de amor pode oferecer.

Somos os nossos melhores amigos.

Paz,

Gustavo Santos

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