quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Revista Zen - Fevereiro 2012



A saúde é uma conquista diária e quem pensar que ela cai do céu nunca lá chegará, pois o céu é o “Agora” na terra e só num estado saudável te será possível entregar neste momento seja ao que for ou a quem for. A saúde é, assim, o dínamo da tua acção e a ponte para a materialização do amor, é um prémio pela conduta que tens contigo, tal como a doença é o castigo pela negligência, quase sempre consciente, com que escolhes viver. Respeitar a tua saúde é respeitar o que de mais sagrado há em ti. O quê? O que tu julgas não saber mas sabes tão bem, a tua matriz. Por seres infinitamente mais consciente no teu interior, é que são necessárias medidas, diárias e exteriores, que protejam tudo o que é único em ti, ou seja, a tua luz, esse lugar tantas vezes recôndito e ignorado onde consta, numa transversalidade ancestral, toda a tua informação e que, por isso mesmo, é designado por alma, Aquele Lugar Mágico de Amor.

E que medidas são essas? Uma boa alimentação, a prática frequente de exercício físico, a ausência de vícios e, aquela que para mim é a mais determinante, uma boa relação com as tuas emoções que corresponda a melhores comportamentos. Se relativamente às três primeiras não deves ter qualquer dúvida, pois o que não falta hoje em dia é informação sobre os temas, já a última te pode causar algumas reticências. E porquê? Porque a informação acerca da nossa saúde emocional ainda é escassa. Uma coisa é trabalhar o corpo, outra, bem diferente, é trabalhar a mente. É que aqueles que trabalham com a saúde física, médicos, personal trainers e afins, têm muitas vezes a cabeça tão avariada como a dos seus pacientes ou clientes e ainda que tenham uma boa dieta, façam uma boa dose de exercício e tenham a profunda consciência do mau estar causado pelos vícios, não se escapam a uma saúde debilitada.

Então, se o principal são as emoções, como é que as podemos  trabalhar? Redefinindo as interpretações que fazemos perante os acontecimentos  e as escolhas da nossa vida, ou seja, aquilo que não controlamos e aquilo sob o qual temos controlo.

A saúde e a doença são, assim e no meu entender, uma equação de mais parcelas onde, no primeiro caso, o amor, o perdão e a aceitação são uma tríade vital e no segundo, o medo, o rancor/culpa e a raiva são uma tríade mortal. Quero com isto dizer que quem não ama é dominado pelo medo, quem não perdoa vive, diariamente, intoxicado com emoções como o rancor e a culpa, e quem tem dificuldade em aceitar está emerso em raiva.

Uma sugestão: fecha os olhos por alguns instantes e lembra-te da última vez que estiveste, realmente, doente, ou seja, daquele episódio em que ficaste acamado, azamboado e, perigosamente, consciente de que não estavas bem. Já está? Agora, recorda-te do estado emocional em que te encontravas nos dias ou nas semanas antes da doença se manifestar. Quando estiveres pronto, responde às seguintes questões:

O que é que não estavas a conseguir aceitar? Quem é que não estavas a conseguir perdoar? Onde é que tinhas perdido o teu amor-próprio?

Não precisas responder às três. A resposta a apenas uma é suficiente para te mandar para a cama, fazer análises ao sangue e assustar-te.

Tu tens muito mais propensão a ficar doente quando as tuas emoções apodrecem. E porquê? Porque nenhum ser humano tolera um longo processo de dor emocional sem que o seu corpo se ressinta. AVC´s, ACV´s, cancros e depressões são apenas alguns exemplos que podem ter origem numa tríade mal edificada.

Como é que se passa, então, do problema à solução? Como já disse, redefinindo interpretações. Como? Vou dar-te um exemplo: se interpretares uma determinada atitude de alguém como uma manifestação intencional de maldade para contigo é diferente de entendê-la como, ainda que fique aquém daquilo que tu consideras justo ou bom, o melhor que a pessoa sabia naquele momento, ou seja, perdoar é, incomparavelmente, mais fácil perante a segunda interpretação, tu ficarás isento de todo e qualquer rancor e o tempo que gastarias a julgar, interiormente, essa pessoa pode ser investido na experiência de uma qualquer paixão tua. 

Tu és responsável por ti e pela saúde que tens.

Paz,

Gustavo Santos

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