quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Revista Zen - Agosto 2012



A missão de qualquer alma é conduzir a pessoa à descoberta do seu poder pessoal e não há "missão cumprida" se a dita se fizer depender de um Deus ditador ou dos outros, se ignorar a possibilidade de que o destino é um processo criativo e acreditar que é um atestado à nascença, e se viver de crenças aprendidas em detrimento de emoções sentidas.

O nosso caminho é, assim, delineado por uma estratégia pura e muito familiar que, muitas vezes, por medo ou preguiça, tendemos a corromper, mas é simples, acreditem, basta para isso escolhermos olhar para dentro em vez de passarmos os dias a comentar o interior dos outros, basta questionarmo-nos quando temos dúvidas acerca do que é melhor para nós e materializar a nossa resposta independentemente do que é melhor para os demais e respeitar os nossos mais altos e nobres valores.

O teu caminho é o TEU caminho, não é o caminho dos outros. Os outros terão também o seu próprio caminho, portanto não te deixes atropelar por alguém que, não sabendo quem é, e não são poucos, tenta ser o dono do teu.

Não consigo dissociar a ideia de “caminho” da ideia de “paixão”. Os únicos e verdadeiros passos que damos em direcção ao que nos é mais sagrado, o nosso âmago, são aqueles em que não vemos os pés mexer ou pensamos que estamos a caminhar para a frente, mas sim quando sentimos, apenas sentimos, a areia na planta do pé, o refrescar da água que conquista cada intervalo dos nossos dedos e a nova brisa que nos bate na face por termos ido a um lugar onde nunca estivéramos. A paixão é a única força capaz de nos vincular ao “Agora” e é sempre “Agora” que podemos escolher caminhar melhor, mais seguros, confiantes e rumo a nós, ao nosso sonho, à nossa missão.

Quando estás “Agora” não pensas, apenas sentes, e na paixão não há espaço para racionalidades, apenas emoções, portanto se, por algum motivo, te perdeste e está difícil encontrares o teu rumo, pára! Mas não pares apenas o corpo e o olhar, pára a mente. Sente onde estás e nesse momento estarás “Agora”. Conseguiste? Se sim, muito bem; se não, volta a tentar mais uma ou mil vezes, afinal de contas, até que ponto te queres reencontrar? Uma pessoa perdida encontra-se sempre no dia em que passa a controlar a sua mente e escolhe sentir em vez de pensar, pois é quando sentes que voltas a descodificar tudo o que te apaixona e o poder dessa sensação é tão grande, tão avassalador, que sem dares por ti, já estás novamente alinhado, em ação, no teu caminho e em direcção à tua missão.

Esta receita vale para o teu “eu”, para o teu trabalho e para as tuas relações, sendo que se já não estás apaixonado pelo que fazes e por com quem estás, deves sair, libertar, e lutar pelo que te dá borboletas na barriga, pois além de ser fundamental o reencontro com tudo aquilo que és e desejas e que ainda existe, é importante que saibas que existem inúmeras pessoas apaixonadas pelo teu emprego e outras tantas pela pessoa com quem dormes todas as noites e a quem já não consegues, naturalmente, potenciar.

A tua ausência de ação estará a bloquear não só o teu próprio caminho como a dificultar, e muito, o dos outros.

Faz-te à estrada… sem medo. Faz-te à estrada… “Agora”.

Paz,
Gustavo Santos

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