sexta-feira, 21 de setembro de 2012

EM PORTUGAL...

Portugal ainda é um país de poucos líderes e muitas vítimas. A maior parte das pessoas passam a grande parte do tempo adormecidas e só acordam para culpar as outras e lamentar-se pelo estado em que se encontram as suas vidas sem que nunca lhes passe pela cabeça a responsabilidade das suas próprias escolhas. Camelos. Os que se mexem são julgados e os que reivindicam aquilo em que acreditam são atacados por esta moldura, pouco humana, de gente que a preguiça tornou má. Sim, preguiçosos, pois só não mudam se não se mexerem. Para se conseguir marcar a diferença e consumar a mudança neste país de rumo tão amargo e previsível são necessárias décadas de investimento pessoal e uma profunda capacidade de aceitação, perseverança, confiança e humildade. Se assim não for, e por muito boas que sejam as tuas intenções, nada conseguirás, pois este ainda é um país de desistentes e sem um verdadeiro sentido de missão tornar-te-ás, mais tarde ou mais cedo, num deles. Diariamente faço o que está ao meu alcance sem por uma única vez me queixar das portas que o medo de quem pode não abre, ainda assim, não me chega. Há tanto por fazer aqui, tanta pessoa errada nos lugares certos, tanta sujidade no leme do país e tanta gente, a maioria, que só reclama de mãos nos bolsos sem que as ponha a agarrar os seus sonhos. Em Portugal há pouca gente a sonhar, as pessoas preferem falar sobre pesadelos, é mais fácil, têm assunto que lhes chegue e não precisam fazer mais nada. Amontoam-se feitos ovelhas e caminham às cegas. Reconheço que entre tanta inconsciência, também já consigo identificar muitos dos grandes obreiros que, certamente, terão uma palavra a dizer, mas quanto tempo levaremos? Eu, afirmo, não dedicarei a minha vida inteira a um país de gente ingrata, não merecem, e como tal, a verdade é que estou a preparar-me para voos mais altos onde as pessoas se multiplicam em vez de se dividirem como aqui. Aos que se identificam e cumprem diariamente a sua missão não me refiro a vocês e orgulho-me do vosso caminho assim como me orgulho do meu. Sempre desperto, sempre grato, sempre disposto a abraçar mais além.

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