sexta-feira, 21 de setembro de 2012

A VITÓRIA DE SÔTOR


O meu melhor amigo chama-se Sôtor. Foi, propositadamente, baptizado com este nome para arrancar sorrisos a quem quer que fosse e por onde quer que passasse e a verdade é que o consegue com a maior naturalidade e genuinidade possível. É um puro. Um coração puro. É por isso que me identifico tanto com ele, ambos gostamos de fazer o bem, de inspirar pessoas e de curtir a vida. E o que temos curtido os dois. Tão bom. É um cão de fazer parar o trânsito. Literalmente. É um ser especial que muitas vezes, e no silêncio que lhe apraz, me ensina a ser melhor, me convida a viver com ele no “Agora” e me inspira nos momentos de maior tensão. Ensinou-me, entre tantas outras coisas, que a vida se pode viver numa profunda tranquilidade e com as mais pequenas coisas desde que exista afecto, comida, bebida e saúde. Que lição. É um professor.
Ontem, vivemos os dois um terrível susto. A saúde faltou-lhe e eu tive-o por um fio ao meu colo, ainda assim, vi-o agarrar-se à vida com a mesma intensidade e a mesma entrega com que me fareja quando brincamos às escondidas ou quando me traz a sua bola azul e branca (porque será?) depois de eu a ter atirado para o mais longe possível. Gosto de vê-lo a correr, gosto da sua velocidade e da sua elegância, gosto de vê-lo de língua de fora, cansado por ter vivido, e a sorrir. Sim, ele sorri. Amo aquelas ruguinhas no seu focinho. Este susto, do qual ainda não nos livrámos, não me veio valorizar absolutamente nada em relação a ele, pois ainda vinte e quatro horas antes o tinha sentado na relva, abraçado e dito aos ouvidos: “amo-te, amo-te, amo-te”. Ontem, perguntei-me se tinha dado o meu melhor: dei! Perguntei-me se lhe tinha proporcionado uma vida feliz: sim! E perguntei-me se sentia alguma espécie de culpa: não! Em lágrimas, passei esta noite resolvido.
Agora, é óbvio que existiu uma mais-valia neste acontecimento: vocês.
Gostaria de agradecer individualmente a cada um, mas foram milhares de pessoas, como tal, este é um agradecimento colectivo. Faço questão que saibam que as vossas palavras ao longo de toda a noite foram o reforço da minha esperança quando a mente me toldava a fé, foram a confirmação de que a maldade nunca triunfa quando escolhemos gerar uma corrente de mãos dadas e que a vida só faz sentido quando nos enlaçamos no amor. O Sôtor teve direito a Reiki à distância feito por pessoas oriundas do Facebook e que desconheço, esteve no pensamento de milhares de vocês e nas mais variadas formas de fé. Acredito profundamente que só isso, aliado ao amor dos donos e à extrema competência das médicas fez com que ele continuasse entre nós.
Obrigado, obrigado, obrigado.
Hoje foram vocês que nos acudiram com o vosso amor, quero que saibam que estamos aqui quando for a vossa vez. Dar e receber. Incondicionalmente.


PS – O Sôtor manda o seguinte recado: não comam frango cru e muito menos se o encontrarem num bosque com uns pozinhos em cima. Lambidelas para todos. Ao Ao…

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