sábado, 29 de dezembro de 2012

A VIDA É FRÁGIL MAS TU ÉS FORTE




A VIDA É FRÁGIL AO PONTO DE:

uma bala perdida,
uma queda desampadara,
uma picada de um bicho,
um furo num pneu,
uma distração na estrada,
uma confusão alheia,
uma multidão assustada,
um segundo de desespero,
um copo a mais,
uns graus a menos,
um colapso da natureza,
uma anestesia mal dada,
um momento de sono,
um "não",
um "sim",
um "sai",
um mergulho no mar com a digestão por fazer,
um prato de marisco mal cozinhado,
um susto valente,
um lugar errado na hora errada,
(...)

MAS TU ÉS FORTE AO PONTO DE:

saber amar
saber aceitar,
saber perdoar
e
saber sentir.

A FRAGILIDADE DA VIDA PODE TOCAR A TODOS, FAZ PARTE DA EXPERIÊNCIA DE ESTARMOS VIVOS, MAS A FORÇA DOS HOMENS PODE ATENUÁ-LA, ATRASÁ-LA E ATÉ EVITÁ-LA, BASTA PARA ISSO QUE SAIBAMOS SER MAIS, ESCOLHER MELHOR E VIVER ATENTOS, NÃO DAR NADA POR GARANTIDO NEM NADA POR PERDIDO.

BASTA AGARRAR O "AGORA"




quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

SOFÁ vs SONHO


A diferença entre o sofá e o sonho é a ação:
- O sofá adormece-te, o sonho desperta-te.
- O sofá esconde-te, o sonho revela-te.
- O sofá cansa-te, o sonho revitaliza-te.
- O sofá enjoa-te, o sonho alimenta-te.
- O sofá senta-te, o sonho faz-te voar.
- O sofá subtrai-te, o sonho multiplica-te.
- O sofá tira-te, o sonho dá-te.
- O sofá esquece-te, o sonho lembra-te.
- (…)
Enfim, foi tudo isto que senti ontem, quando, sentado no sofá, percebi que se ali me mantivesse não poderia ser mais do que aquilo. Não podia deixar que isso me acontecesse quando há tanto por sentir, por fazer e por dizer… e não deixei.  
O vídeo que publiquei já foi visto por um milhar de pessoas. Percebes a diferença entre uma coisa e a outra? Entre o manter-me no ninho e o expor-me para fora da minha zona de conforto? Consegues ler o impacto da ação na nossa vida? Mil pessoas já escolheram ver aquele que acabou por ser o primeiro episódio de “CERCA DE 180 SEGUNDOS COM GUSTAVO SANTOS”. A experiência de sair do sofá dá nisto: acerca-te das pessoas, leva-te mais longe, permite-te inspirar mais gente. É isto que eu preciso continuar a fazer, pois sendo um homem FELIZ tenho essa responsabilidade eterna de levar os outros a acreditar que também eles podem sê-lo.
Nunca te esqueças de uma coisa:
QUANDO DEIXAS DE ACREDITAR, DEIXAS DE MERECER!

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

GRATIDÃO (11)


Querido amigo Gustavo,
talvez a maioria das pessoas não nos apelidaria assim, de “amigos”, uma vez que apenas estivemos juntos uma vez, no teu Workshop de 11 de Novembro no Porto, e trocámos um ou dois e-mails antes disso, mas tendo em conta o grande impacto que tiveste na minha vida, eu jamais te poderia considerar doutra forma que senão esta: como meu Amigo, meu Grande Amigo. És uma das pessoas a quem eu sinto uma enorme vontade de agradecer por me ter feito tão bem e por me ter despertado para um significado tão positivo que é possível dar à vida, às pessoas e às pequenas coisas.                                                                                               
Apesar de estares presente na minha vida de uma forma mais “virtual” e simbólica, através das tuas publicações no Facebook, do teu Blogue, dos teus e-mails em resposta aos meus e do teu livro “Arrisca-te a Viver”, eu considero-te um Grande Potenciador, uma Grande Alavanca e uma Grande Oportunidade na minha vida! Pode ser através do computador, de páginas de livros, mas és Tu que estás lá! És tu que estás a falar comigo! E eu ao ouvir-te já aprendi e vivi tanta coisa…                                                                                                                                             
Tu ajudaste-me a arriscar, a retirar pessoas da minha vida que já não faziam sentido e com quem já não havia identificação, a reorganizar a posição das pessoas no “avião” que é a minha vida e que eu comando, incentivaste-me a pensar mais por mim, a ouvir o que o meu coração diz nos silêncios, a perceber que errar faz parte e que não há que ter medo do medo, pois eu e a minha coragem juntas somos mais fortes que ele. Ajudaste-me a desmistificar preconceitos, a combater bloqueios, a identificar falsas crenças, a diminuir a influência do ego sobre mim, a perceber que as pessoas da minha família, apesar de poderem ser próximas, não precisam de ser as pessoas mais importantes da minha vida e às quais recorro apenas porque partilham o mesmo sangue que eu. Sou livre de amar quem quero. Contigo aprendi que os castradores não têm lugar na minha vida e que se alguma vez sentir que alguma pessoa me está a tentar prender ou a tentar desmotivar e “cortar as asas” para o voo no qual me quero aventurar, que essas pessoas deixarão de ter um lugar na minha vida. Contigo percebi que a vitimização não é caminho e que somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos. É a chamada meritocracia como falas. Tive uma má nota na faculdade? Ok, devia ter estudado mais, para a próxima farei melhor. Fui bem-sucedida na apresentação de um trabalho? Não, não foi sorte. Eu esforcei-me, trabalhei e portanto mereci esse sucesso e reconhecimento. Claro que há algumas pequenas exceções inesperadas que por vezes acontecem, mas falo do que acontece de forma geral.                                                                                                                                            
Apesar de às vezes ser insegura, sinto que tenho todo o mérito do mundo por ter estado tão atenta no dia em que, na livraria Bertrand, andava eu à procura de um livro para ler e, indecisa entre dois, escolhi levar o teu “Arrisca-te a Viver”. Não podia ter tomado melhor decisão. Desde aí que invadiste a minha vida de uma forma tão avassaladoramente positiva que é caso para dizer que “acertei no dia em que te encontrei”, ou ao teu livro. Mas é a mesma coisa, certo? Com aquilo que fui aprendendo ao “ouvir-te” e que, simultaneamente, fui aplicando na minha vida, senti-me tão mais livre, tão mais dona de mim própria. Chorei ao ler e ao trabalhar com o teu livro. Não por ser comovente ou romântico, mas por me despertar para a minha própria realidade, por me fazer perceber que eu não sabia quem era, por me fazer perceber que existiam relações na minha vida que não faziam sentido, e esse despertar, tal como o bebé que nasce, dói, mas também é preciso, e acaba por ser tão doloroso quanto libertador.                                                                                                                                                                                    
Hoje, com 19 anos, posso dizer que gosto de mim e que me admiro enquanto pessoa e que tento sempre ser cada vez melhor. No entanto, sei que os meus próximos passos continuarão a ser no sentido de investir mais em mim pois, após tantos anos de “viver para fora”, é preciso gradualmente e progressivamente aprender a “viver e olhar para dentro de mim” também e tornar-me naquela pessoa pela qual quero estar primeiramente e prioritariamente apaixonada. Isso está aos poucos a acontecer, a seu tempo, como é natural.                                              
Como referes no teu livro “Arrisca-te a Viver”, eu, tal como tu, também sinto que uma das minhas missões é, sem dúvida, o meu desenvolvimento pessoal, a minha evolução e o meu investimento em mim própria. Pode haver quem pense que é egoísmo, mas quem conhece a maravilhosa sensação de percorrer este caminho de descoberta e de amor-próprio jamais concordará que é egoísmo. É muito mais fácil viver para fora, ceder às “tentações” da sociedade e desatarmos a fazer coisas que para nós não fazem sentido apenas porque “fica bem”, “os outros ficam felizes” ou porque “toda a gente faz”. Temos pena. Que se lixe o que os outros querem para mim, ou “o que fica bem”, se isso não fizer sentido para mim ou se comprometer a minha felicidade ou aquilo que quero para mim. Não sou mais importante nem estou à frente de ninguém, é certo, mas, na minha vida, primeiro estou eu. E apenas eu sendo a minha própria prioridade é que conseguirei também ajudar os outros de forma incondicional, com sentido, e sem lhes querer cobrar absolutamente nada pelo bem que lhes faço. Simplesmente não vou sentir necessidade disso, pelo amor-próprio e confiança que terei. A par da minha missão de desenvolvimento pessoal, sinto também que quero muito ajudar os outros, e acho que, através de muitas ações, o faço também e que também os faço felizes. Fico contente por duas missões tão gratificantes e de uma beleza tão incrível possam habitar simultaneamente em mim.                                                                                                                                                           
Das mais importantes lições que aprendi contigo tem a ver com a Paixão, principalmente por causa da história que no teu Workshop contaste sobre o teu namoro, quando tinhas 14 anos penso eu, com aquela menina encantadora brasileira que te disse que “vocês podiam ficar”. Achei a história tão encantadora, tão deliciosa, tão linda, tão apaixonante. O facto de nessa altura da tua vida, e uns anos mais tarde, teres consciência que ela ia partir e que irias sofrer, e, mesmo assim, dares tudo de ti, entregares-te por inteiro e viveres totalmente o que essa paixão e oportunidade te tinham para oferecer é de uma vontade de sentir e de viver soberbamente incríveis! Quando perguntaste no fim do Workshop aquilo que consideraste ser o ponto forte daquelas horas que passamos juntos eu referi logo essa história. Foi tão admirável e comoveu-me tanto. Eu pensei logo: OH MEU DEUS EU QUERO VIVER ALGO ASSIM!!!! Um género de sentimento de: quero viver as coisas com paixão, independentemente das consequências. Se o sofrimento vier, que venha, mas vou viver o mais apaixonada que posso primeiro, depois logo se vê o que acontece. Como também me lembro de dizeres nesse mesmo Workshop, mais vale 1 dia apaixonado e 2 em sofrimento, do que 3 dias sem sentir absolutamente nada. Afinal, somos um SER humano. E acreditas que já dei por mim a sentir-me apaixonada por amigos? Apaixonada de amizade? Sentir que quero tanto estar com eles e ficar tão entusiasmada e grata por tê-los na minha vida! Nunca tinha experimentado esse sentimento… E tu contribuíste tanto para essas minhas descobertas.                    
Do fundo do meu coração Gustavo, agradeço-te pela tua frontalidade, sinceridade, humildade, amor-próprio, coragem, acessibilidade, vontade de viver e de espalhares as tuas palavras, disponibilidade (principalmente por me teres respondido a um e-mail enorme que uma vez mandei a falar dum problema meu), bom caráter, bom coração, porque todas estas tuas qualidades e muitas outras fizeram com que ganhasses um lugar mesmo muito especial na minha vida e no meu coração. Falo tanto de ti às pessoas que conheço. E já algumas delas te seguem por eu lhes ter falado de ti! Quem porventura ainda não te conhecer, provavelmente até pensará que és realmente meu amigo próximo, da faculdade ou assim, e que estou contigo todos os dias, tal é a forma próxima, carinhosa e de admiração com que falo de ti. Mas afinal de contas tu és um amigo meu próximo, não é? Pelo menos eu sinto-te como tal.                                                                                                                                                                                   
Muito Obrigada pela inspiração que és, meu querido AMIGO!

Sílvia Xará

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

FELIZ NATAL CONTIGO E ENTRE OS OUTROS


Hoje, muito mais importante que o nascimento de Jesus, celebra-se a oportunidade que temos todos de renascer, de nos reencontrarmos com os afetos, de reestimular os laços desatados há mais tempo e de sermos, outra vês, quem verdadeiramente somos: pessoas felizes.
E que esta noite nos aconchegue o corpo e aquiete a alma para que possamos, finalmente, sentir o verdadeiro espírito Natalício.
E que as famílias possam voltar a sê-lo.
E que os sozinhos possam sentir a própria companhia.
E que os sem-abrigo possam congregar-se todos numa mesma sala de uma qualquer instituição e sentir-se em casa.
E que aqueles que perderam recentemente um ente querido possam sentir o seu profundo, eterno e reconfortante abraço.
E que esta noite ninguém se sinta só, pois não está. Nunca está.
E que esta noite simbolize a esperança nos nossos corações, a prova de que devemos e podemos ser mais enquanto seres humanos, assim escolhamos sentir em vez de julgar, dar a mão em vez de sacudir e sorrir em vez de chorar.
Que tenham todos uma belíssima Noite de Amor, Temperada de Alegria e Luz.  
Feliz Natal, 2012

sábado, 22 de dezembro de 2012

OS "PARVOS", A FEBRE E O NATAL DELES

Há uma doença perigosíssima que corrói o ser humano nesta altura do ano. Sim, ao invés de nos ligarmos às pessoas, ligamo-nos, pois é muito mais fácil, às coisas para as pessoas. Aos afectados por tamanha desgraça chamar-lhes-ia, e dentro da raça a que pertencemos, de “os mais parvos”, mas como o não-julgamento se impõe sempre sobre a minha consciência, apenas os designarei por “parvos”.

E “parvos” sejam.
É comum assistir-se à manifestação desta praga nas portas dos centros comerciais quando a noite cai ou o fim-de-semana chega e nem o frio ou a chuva lhe tolhe a propagação. A densidade de parvoíce é grotesca. É certo que nem todos fazem parte dessa espiral absolutamente decadente, acontece que esta mistura entre pessoas e “parvos” aparvalha de tal forma o ambiente que consegue deturpar até o maior dos conscientes.
Sim, a possibilidade de contágio é alta.
A doença que te falo é a febre do “ter que dar” e do “fica mal não oferecer nada”. Já testemunhaste tamanha aberração? O que chamar a tal barbárie? Aceito sugestões e sim, eu sei que “parvos” é pouco, mas sabes como eu sou, apesar de tanta merda, eu acredito sempre no lado bom nas pessoas.
E ele existe.
Ah, há cura! Como a febre é potencialmente fatal, o tratamento só poderá ser de choque, ou seja, é necessário “ter que dar” uma lambada ao paciente.
Paciência.


sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

TODOS NÓS...


TODOS NÓS já fomos uma semente, o fruto do desejo de outros dois seres como nós.
TODOS NÓS já fomos um presente, uma história boa e um sonho.
TODOS NÓS já ousámos gatinhar, pôr-nos de pé pela primeira vez, demos os primeiros passos sozinhos e corremos como se não houvesse amanhã.
TODOS NÓS já rimos e chorámos quando caímos, já brincámos à apanhada, à cabra-cega, às escondidas e à macaca. Já pedimos carrinhos e bonecas, doces e atenção.
TODOS NÓS já fomos injustiçados, julgados e culpados. Já tivemos sorte.
TODOS NÓS já falhámos e conquistámos.
TODOS NÓS já demos o primeiro beijo, já fizemos amor, já nos entregámos e sofremos.
TODOS NÓS já demos o nosso melhor e o nosso pior.
TODOS NÓS já perdemos alguém que amávamos.
TODOS NÓS desejamos ser felizes.
TODOS NÓS somos bons.
Era bom que TODOS NÓS nos lembrássemos disto antes de julgar alguém.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O "TUNING" DA GENTE!


O medo amarra-nos a mente e ainda que o corpo esteja solto que nem uma mola e fresco como uma alface, nada conseguirá fazer.
A única arma capaz de deter este monstro é a coragem, pois só munidos dela o conseguiremos encarar de frente e acredita, uma vez olhos nos olhos, o medo desiste sempre primeiro. E desiste porquê? Porque o medo é uma criação da nossa cabeça. Nós inventámo-lo dando razão aos nossos educadores, acreditando que os medos deles eram também os nossos, ou aquando de uma experiência pessoal menos feliz que tivemos com algo ou alguém, ficando com medo de sofrer de novo, de ser novamente enganados ou incapazes outra vez.
Independentemente do que sintas e qual a razão para o sentires, uma verdade é absoluta, apenas tu o conseguirás derrotar, mas para isso precisas da composição emocional da coragem, ou seja, de uma pitada de auto-estima, de confiança e de amor-próprio. Estes três elementos são essenciais para fazer frente ao medo, mas não só, é que além do monstro que já falámos existem ainda mais dois fantasmas chatos e incómodos que, não raras vezes, andam sempre com ele, são eles os bloqueios e os preconceitos.
Ora se por um lado o medo te impede a ação pelo que possas encontrar no futuro, por outro, os bloqueios impedem-te de agir pelo que viveste e não ultrapassaste no passado, enquanto os preconceitos te acorrentam o presente devido a uma educação muito restrita ou crenças limitadoras. Assim, se tiveres uma boa imagem de ti mesmo, a audácia de arriscares e te tratares convenientemente, é como se estivesses munido de um turbo que te possibilita ter um rendimento extra, quando comparado com os demais.
É uma espécie de “Tuning” da gente.

in "Arrisca-te a Viver", 2012

domingo, 16 de dezembro de 2012

GRATIDÃO (10)




"Olá Gustavo,

Não podia deixar passar sem te dar os parabéns pelo teu trabalho e dizer-te que adorei conhecer-te e que foi um privilégio ter partilhado este dia contigo. Tens uma energia óptima e contagiante, foste sem dúvida uma agradável surpresa que espero continuar a descobrir com a leitura dos teus livros.

Sempre achei que tudo na minha vida tem uma razão de ser e hoje tive mais uma prova disso, este workshop não poderia ter aparecido noutra altura porque era agora que fazia todo o sentido.

Permite-me que partilhe contigo dois textos escritos por mim recentemente...

"Sinto-me uma fraude...
Não consigo ver em mim aquilo que os outros dizem ver, não consigo ser aquilo aquilo que todos dizem que sou.  Dizem que me admiram porque sou forte, sou corajosa,  que sou um exemplo, todos vêem coisas que eu não consigo ver, todos acham que sou aquilo que eu acho que não consigo ser... Onde está essa pessoa?
Sinto-me num beco sem saída, sei que não estou bem mas não sei o que fazer, não sei que caminho quero seguir  e não tenho força para seguir em frente. Sei onde não quero estar, sei o que não quero fazer mas não sei como agir, não sei como contrariar o que sinto, não sei como dar o primeiro passo nem tão  pouco sei qual será o primeiro passo. Sinto-me a quebrar, sinto-me sem forças  e por mais que tente, por mais que procure não encontro em mim a força, a garra, não encontro em mim a pessoa que todos vêem e que eu própria já vi algumas vezes... Preciso desesperadamente de encontrar algo a que me agarrar, preciso de algo que me dê força para avançar e não me deixe desistir porque neste momento só me apetece parar, baixar os braços  e parar.
Preciso de me reencontrar... preciso de voltar a ser eu porque neste momento não sei quem sou e não me reconheço..."   - 02/11/2012

Hoje deste-me o maior abanão dos últimos tempos e agradeço-te por isso, hoje graças a ti voltei a focar-me e fui reler o que tinha escrito à quatro meses atrás e percebi que me estava a desviar do caminho correcto e a perder o que já tinha conquistado.

"Comecei a escrever numa altura bastante complicada da minha vida... nos piores momentos fazia-me bem escrever, ajudava a esclarecer e a por as ideias em ordem. Não o tenho feito nos últimos tempos porque me tenho sentido muito melhor e acredito que a fase pior já passou... felizmente.
Já consigo olhar para tudo o que aconteceu com o distanciamento necessário para que as coisas não me façam sofrer.
Muitas coisas aconteceram, não foi um fase nada fácil, foi doloroso, foi complicado lidar com todas as situações e gerir emocionalmente tudo o que se passou e tudo o que vivi. Sofri, chorei, neguei, questionei... mas o importante é que consegui... e sinto-me mais forte a cada dia.
Estou orgulhosa de mim própria... houve alturas em que achei que não seria capaz, achei que não teria estrutura para lidar, ultrapassar e seguir em frente.
Estes últimos meses foram difíceis mas ao mesmo e de certa forma também foram gratificantes... aprendi e descobri coisas em mim que desconhecia...hoje conheço-me melhor e valorizo-me muito mais do que antes.
Sinto-me orgulhosa... por me ter mantido fiel a mim mesma, por nunca ter perdido a minha essência, por ter crescido e por ter sido capaz de me fortalecer, por ter dado a volta por cima.
A mensagem de hoje é um pouco em jeito de virar de página, sei que tenho que continuar a percorrer este caminho e que com pequenas conquistas vou atingir grandes vitórias...
Não posso garantir que não volto a escrever sobre o assunto, não posso dizer que isto não me voltará a afectar... não posso, porque não sei o dia de amanha... mas tenho a certeza que aconteça o que acontecer não voltará a ser igual, não voltará a ter o mesmo impacto porque eu também já não estou igual..."  - 01/08/2012

Não faço ideia se algum dia terei oportunidade e o privilégio de estar contigo novamente mas mesmo que isso não aconteça nunca vou esquecer este dia nem o impacto que as tuas palavras tiveram em mim, pois como tu mesmo dizes não é milagroso mas é transformador, bem humorado, agitador e assertivo.

Muito Obrigada"

Fátima

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

QUANTO VALES TU?


Sobrevalorizar o dinheiro é subvalorizar os homens!
É morrer mais cedo porque o dinheiro não compra afetos.
É ser mais teso que um pedinte porque a alma não se avalia em euros.
É fingir que se está bem e que se é alguma coisa.
É um contra-relógio e uma bomba-relógio.
É a mais profunda omissão dos valores humanos.

Vangloriar o dinheiro é esquecer os homens!
É sabotar o amor.
É perder os laços, os entes, a equipa e os amigos.
É ignorar o sentido de missão.
É vender a alma e a eternidade.
É sujar as mãos, a boca, o peito e o coração.

Ser o dinheiro é inexistir enquanto homem!
É adoecer mais depressa.
É a enxaqueca, a cólica, o aperto no peito, a boca seca e a dormência.
É abortar a vida e contaminar o que dela se pode beber.
É morrer à fome do abraço, do peito com peito e do beijo sincero.
É o não ser e o nada és.

Quando vales tu?
Se assim fores, não vales nada!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

JÁ TE PERGUNTASTE?


Já te perguntaste?
Se um mudo consegue expressar-se…
Se um surdo consegue entender os outros…
Se um cego consegue sentir…
Se um surfista consegue surfar sem um braço…
Se um homem consegue ser um velocista sem uma perna…
Se um doente consegue sorrir…
Se um viúvo consegue reencontrar o amor…
Se uma vítima de abusos consegue apaixonar-se…
Se um abandonado consegue perdoar…
Se um rejeitado consegue aceitar…
Se um traído consegue confiar…
E por aí em diante…
Já te perguntaste,
PORQUE É QUE TU NÃO ÉS CAPAZ?

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

AS COBRAS HUMANAS E OS ENERGÚMENOS DO COSTUME


Quem cobra é uma verdadeira serpente, uma espécie de ser demoníaco que primeiro estrangula e depois consome, que prefere impedir a vida dos outros do que viver a sua própria experiência.
Quem se deixa cobrar é um verdadeiro rato, uma espécie de hamster que prefere viver numa gaiola e depender de alguém que o alimente do que assumir a sua significância.  
Todos os cobradores são letais e inofensivos. Serpenteiam-se pelas nossas vidas de dentes afiados e veneno apurado, mas não passam de seres rastejantes facilmente pisáveis e esmagáveis, assim não lhes permitamos apoderar-se de quem verdadeiramente somos.
Todos os cobrados são parvos e ignorantes. Sobrevivem à margem da verdadeira vida e não passam de carne para canhão, de gente pronta a ser mordida, estraçalhada e engolida.
Um cobrador é um estupor, mas quem se deixa cobrar está coberto de estupidez.
Quando nascemos é-nos dada uma vida e o livre arbítrio para viver nela o que bem entendermos, certo? Se assim é, e é assim com toda a gente, ninguém pode ser o nosso senhor a não ser nós próprios, ninguém nos pode atirar à cara o que já fez por nós, exigir respostas e muito menos atropelar com perguntas.
Só te cobra quem teu inimigo é, pois a vida não nos foi dada para ser cobrada, foi-nos permitida para ser vivida.

domingo, 9 de dezembro de 2012

O AMOR - AMOR


O Amor-Amor é tudo menos aquilo em que estás a pensar, pois quando pensas ele deixa de ser. O amor pensado não é um amor sentido, é obsessão, dependência e, posteriormente, desilusão.
O Amor-Amor, aquele que ama e faz amar, é tudo, tudo mesmo, que seja incondicional. É gratidão, é compaixão, é entrega, é paixão, sou eu e és tu, são as melhores coisas do mundo e os mais longos silêncios. É a convicção de que podes contar contigo para viver tudo o que sentes e para receber tudo o que sentem por ti.
O Amor-Amor é fruto do amor que se tem por nós mais o amor que se tem pelos outros. O falso amor é apenas uma semente podre do amor que se tem pelos outros que mesmo que germine não tardará a desfalecer, pois é o amor-próprio que a alimenta e quando este não existe, também não há água que irrigue o seu caule.
O Amor-Amor é o “amo-me” interior ou o “amo-te” quando nos vemos ao espelho, é a consagração da gratidão por estarmos vivos e por sabermos quem somos. O falso amor é o “amo-te” titubeante que se exclama nos ouvidos dos outros porque deles dependemos ou porque por eles nos tornámos obsessivos. Quando nãos nos amamos, não há amor que nos valha.
O Amor-Amor é a soma das tuas sensações internas potenciadas pelas oferendas externas. É o nirvana. O falso amor é uma conta de dividir onde tudo se espera do outro porque em nós não mora nada. É um imposto, uma taxa que inconscientemente cobramos a quem nos ama.  
 Ama-te - Ama-te!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

R-E-L-E-S OU P-E-R-S-I-S-T-E-N-T-E?


Sim fofinho, toda a sociedade é baseada em princípios injustos!
E agora?
Não me digas que achavas que era só contigo?
A sério? Olha, eu que não dou conselhos a ninguém vou ser um grande maluco e dar-te um: deixa de ser  R-E-L-E-S.
Alguns dos melhores advogados não defendem os principais casos.
Alguns dos melhores arquitetos não concebem os melhores projetos.
Alguns dos melhores engenheiros não edificam as principais obras.
Alguns dos melhores escritores não vendem quase nada.
Alguns dos melhores atores não ficam com os melhores personagens.
Alguns dos melhores professores só fazem substituições.
Alguns dos mais competentes nem sequer trabalho têm.
E agora fofinho?
Continuas a pensar que é só contigo?
Tudo isto pode parecer injusto, é legítimo, mas há uma injustiça ainda maior por trás de toda esta realidade: é o ser humano desistir e deixar de acreditar nos seus sonhos. Isso sim é tremendamente injusto!
A sociedade, em termos gerais, não se alicerça no mérito e por isso é injusta. Não quer saber dos sonhos dos homens, das suas verdadeiras competências e valores. As suas bases são o dinheiro, as cunhas e os interesses, nada mais é importante. Sim, mas e agora? Queres lutar contra isto? Não consegues. Nem uma palha moverás. Mas há uma solução. Há sempre uma solução. Sabes qual é? P-E-R-S-I-S-T-I-R.
Nesta vida ou és um R-E-L-E-S ou és um P-E-R-S-I-S-T-E-N-T-E.
Os persistentes nunca desistem, nunca deixam de acreditar ainda que lhes fechem todas as portas das oportunidades, ainda que apenas deixem as janelas mais altas abertas para que te vejam sofrer e imaginar que são mais importantes que tu. Sei do te que falo. Sei tão bem do que te falo. Até hoje persisti. Levo o dobro, o triplo, o quádruplo do tempo a conseguir o que desejo, mas consigo sempre. Hoje já se abrem algumas portas, alguns dos reles que me olhavam lá de cima já caíram e eu cá continuo: sereno, crescido, em paz e feliz.
É  que há uma justiça maior e acima da injustiça dos homens, portanto, e lê-me com atenção, apenas te é exigida uma coisa nesta exigida: não sejas injusto contigo.
P-E-R-S-I-S-T-E! 

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

REENCONTROS


O cheiro, o mesmo aroma...
Os silêncios, as mesmas pausas...
O olhar, o mesmo brilho...

Apenas alguns traços se haviam evidenciado debaixo dos mesmos olhos rasgados quando sorria, afinal de contas só o tempo havia passado pela sua pele.

As sardas, as mesmas estrelas a pontuar o céu do seu rosto...
O caminhar, a mesma passada descontraída...
As conversas, os mesmos assuntos...

Apenas a distância entre os dois crescera, ainda assim, não tão grande, nunca maior, que a cumplicidade da amizade que souberam preservar.

Os gostos, as mesmas paixões...
A sintonia, as mesmas palavras no mesmo instante...
A vontade, as mesmas promessas...

Apenas o bom ficara, pois o resto desvanecera, como se o regozijo de uma nova oportunidade tivesse engoligo a dor um dia infligida.

O carinho, o mesmo afeto...
O "querer bem", o mesmo amor...
A despedida, o mesmo intervalo...

Apenas o sabor da certeza ficara, o sabor de que um reencontro vale mais que mil palavras. 

domingo, 2 de dezembro de 2012

ANIMAIS APESSOADOS & PESSOAS ANIMALESCAS




Não seremos todos iguais?
Não seremos nós um pouco de eles e não serão eles um pouco de nós?
Não seremos todos uma grande mistura, uma massa comum com o mesmo propósito e a mesma energia?

Falo por mim, quando olho para o meu fiel amigo revejo-me nele em tantos aspectos que vivo com a convicção que ele sente o mesmo relativamente a mim. O que eu lhe ensinei já ele me ensinou. O que eu lhe dei já ele me deu. O que eu senti já ele sentiu. Sou mais por causa dele assim como ele é mais por causa de mim.

Não estaremos aqui para desempenhar este papel?
Não estaremos aqui todos para potenciar todo e qualquer ser vivo?
Não estaremos aqui para estender a mão ou a pata a seja quem for?

Pessoas e animais são a mescla perfeita. Eles proporcionam-nos inúmeros desafios e nós providenciamos-lhes tranquilidade. Eles convidam-nos a correr, a brincar mais vezes, a ser mais criativos, a respirar melhor, a rir mais que o suposto e nós oferecemos-lhes um lar, aconchego, afetos, comida, bebida e mimo.

Não temos todos um nome?
Não temos todos que respirar?
Não temos todos que viver até morrer?

Assim, abandonar um animal é como abandonar uma pessoa e tratá-lo mal é como sovar o nosso filho, abusar de um menor ou não querer saber de um velho que sempre tratou de nós, pois o direito à vida é comum a tudo o que respira e os afetos deverão ser uma constante da vida até ao fim da mesma.

Não seria tudo mais fácil se nos uníssemos?
Não faria tudo mais sentido se sentíssemos?
Não faria sentido abraçar mais vezes?

Nós somos gestores do tempo e eles são mestres do "Agora". Nós sabemos como educá-los e eles têm tudo para nos ensinar a sentir. Nós temos medo, eles amam. Nós magoamos, eles perdoam. Nós não compreendemos, eles aceitam. E sim, é possível, tão possível, que nos tornemos melhores pessoas quando nos misturamos com eles. É que eles são apessoados no melhor que há em nós e nós podemos ser animalescos no melhor que há neles ou haverá algo melhor que sentir seja o que for na totalidade? É o que eles fazem, é o que nós temos de aprender a fazer.

O que é que podes ser "Agora" para ajudar?
O que é que podes fazer quando vires um mestre perdido na rua?
Para que é que serve a tua vida?

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

DES"ALMA"DOS


Tem sido frequente assistir a uma espécie de marcha dos desalmados, uma tropa de gente triste, poluída e que, pelo olhar, trejeitos e afins, se nota que hipotecou a vida recentemente. Sim, recentemente porque esta malta tem entre vinte e trinta anos.
É um desfile horrendo ao qual, e por me apaixonar com facilidade por pessoas, não me consigo manter indiferente. Caminham de olhar gelado, misturados numa tremenda miséria de espírito e entopem-se até rebentar... com eles e com aqueles que os rodeiam, pois a morte de qualquer pessoa, por muito estúpida que seja, deixa sempre um legado de dor em quem lhe era próxima e fica.
Estão por todo o lado e não estão em lado nenhum: uns continuam a comer que nem uns animais quando o peso já nem lhes cabe na roupa que vestem, outros fumam que nem uns idiotas como se o respeito pela própria vida fosse uma espécie de teoria utópica e outros ainda queixam-se de tudo e de nada porque se habituaram a fazê-lo. Desistiram.
Desalmados, pá!
É por isso que eu acho que devia ser constituída uma lei da chapada! Sim, um género de despertar, mas com a mão cheia estampada na fronha de quem anda a brincar com isto. Assim, quem corrompesse a oportunidade de estar vivo, e se entupisse em detrimento de agradecê-la, levava um chapadão no focinho para ver se acordava para a vida. Tenho a certeza que uns bons pares de lambadas eram remédio santo.
É que existe gente acamada e prostrada em cadeiras de rodas, por exemplo, que daria tudo para colocar as suas almas cheias de coragem, resistência e convicções em corpos aptos como os deles, nem que fosse por apenas quinze minutos. Quinze minutos, só quinze minutos, e estes desalmados têm mil quatrocentos e quarenta por dia e só se esfregam na lama.
Enfim, é triste, mas há gente a morrer mais viva e grata que estes débeis exemplos que por aí resvalam.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

TODAS AS PESSOAS SÃO...



Todas as pessoas são diamantes.
Brilhantes safiras e rubis, algumas ainda em estado bruto, é certo, mas todas igualmente valiosas.

Todas as pessoas são animais.
Autênticas espécies em vias de extinção, umas feras e outras mansas, mas todas donas do mesmo território.

Todas as pessoas são oportunidades.
Poderosas lições, umas de sabor a mel e outras a fel, mas todas de incomparável mestria. 

Todas as pessoas são almas.
Reluzentes mestres e aprendizes, algumas ainda densas e egóicas, mas todas compostas pela mesma energia.

Todas as pessoas são pessoas.
Sorrisos rasgados e puros, ainda que nem sempre o demonstrem.
Bondosas e queridas, ainda que nem sempre o consigam.
Apaixonadas e apaixonantes, ainda que nem sempre se mereçam.
Sábias e inspiradoras, ainda que nem sempre se permitam.

Todas as pessoas são afetos.
Por isso abraça-as, muitas vezes é tudo o que precisam para se assumirem e voltarem a acreditar que existe um sentido para aqui estarem.

sábado, 17 de novembro de 2012

EIS-ME DE PÉ...


Eis-me de pé, outra vez, como se a mão de um qualquer homem não me tivesse roubado o mais profundo segredo, o verbo da minha alma e o passo seguinte da minha missão, como se o chão não me tivesse fugido debaixo dos pés e o medo não me tivesse assolado a mente.

Eis-me de pé, outra vez, após uma longa noite de balanço onde vos poderia enumerar o que me levaram, mas da qual vos prefiro contar o que me deixaram e o que me deixaram não poderia ser mais valioso: a convicção de que sou um verdadeiro guerreiro, de que se me levarem a própria vida nascerei outra vez para cumprir o que preciso de cumprir, de que tudo sou capaz e de que me tornei mestre no que diz respeito a transformar o mau em bom.

Eis-me de pé, outra vez, mantendo a fé inabalável no meu objetivo e certo de que a força do meu novo livro, por ser dedicado a uma alma demasiado inspiradora, jamais se poderá vergar perante qualquer adversidade, seja ela qual for.

Eis-me de pé, outra vez, a rebentar de força e confiança, preparado e motivado para dar continuidade ao que me propus, certo de que as centenas de linhas e milhares de palavras que são agora reféns, em parte incerta, se reencontrarão para fazer deste livro o passaporte para a magia que ele é.

Eis-me de pé, outra vez, para vos aplaudir e agradecer cada gesto, palavra e emoção, cada vez mais consciente de que são do melhor que me acontece todos os dias.

Eis-me sentado, de frente para outro computador, com os dedos a fervilhar e a emoção a correr, rumo ao dia em que a soma destas folhas se transforme no livro que poderá, definitivamente, mudar milhares de vidas.

Obrigado

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

AGENDA "ARRISCA-TE A VIVER" ATÉ FINAL DO ANO



AGENDA "ARRISCA-TE A VIVER" ATÉ FINAL DO ANO!
RESERVAS:
TODA A INFORMAÇÃO, ASSIM COMO GALERIA DE FOTOS ACERCA DO EVENTO NA PÁGINA "WORKSHOPS" DO MEU BLOGUE.
E ENTÃO, ARRISCAS? 

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

RECUPERA-TE E RECUPERARÁS


Na ravina, por onde se derramava vertiginosamente, não havia uma única saliência, uma pedra que fosse onde se pudesse agarrar, repousar, renovar ideias e começar de novo, por isso, a ideia de escalar o monte de si mesma foi sendo protelada, como a vida, até ao limite do seu corpo. Sempre que acordava, renovava os votos para adormecer outra vez e quando o escrutínio não era o desejado, refugiava-se na eficiência dos comprimidos, estepes da sua desgraça. Anestesiada, não sentiu o soçobrar do coração, a dispensa vazia do estômago, o entorpecimento da alma e foi preciso o mais alto comissariado de Deus atirá-la para as urgências do hospital para que anjos terrenos a trouxessem de volta à existência. As sessões de psicologia passaram a fazer parte dos seus dias e aos poucos foi-se atenuando a perdição e afirmando a ressurreição do ser mulher.

O preâmbulo da sua nova jornada foi premiado naquela tarde de Sábado.   

O novo milénio oferecera-lhe a mais bela das recordações: João.

Sem homem desde a traição e com os afectos e o prazer nas ruas da amargura, Madalena começou por encetar uma busca implacável por si mesma, rumo à tão almejada paz, passaporte para o verdadeiro amor. Se queria João nos seus braços, teria de se querer a si primeiro, para que quando o tivesse já fosse detentora de si mesma.
E teve.


in " A Dança da Vida", 2010

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

OU ÉS LIMITADO OU ÉS APAIXONADO!



Uma convicção limitadora é uma certeza de que és limitado. É uma crença a teu próprio respeito que acaba por colocar densas barreiras não só à tua aprendizagem como, também, à vivência de inúmeras experiências. Ainda que meras suposições sobre a realidade não sendo, por isso, verdadeiras, todas as convicções limitadoras afastam a pessoa dos seus objecivos e daquilo que, na maioria das vezes, lhes apetece, verdadeiramente, viver.

Gosto sempre de associar esta temática à paixão.

E faço-o porque acredito que todos nós temos uma enorme paixão por estar apaixonados, logo, as imagens do que perdemos por estarmos tão convictos do quanto limitados somos, são tão fortes, quase agressivas, que, num ápice, podemos tomar a consciência do que andamos a desperdiçar e mudar de atitude no segundo seguinte.
Estar apaixonado é a melhor coisa do mundo. Quantas vezes já o disseste ou ouviste alguém dizer isto? De facto, há uma tendência generalizada para associar à paixão, alguns dos melhores momentos ou fases da nossa vida e isso está cem porcento correcto, pois o tão almejado estado de felicidade só pode ser, verdadeiramente, alcançado quando pomos paixão em tudo o que somos, temos e fazemos.

Toma como exemplo aquela história onde te apaixonaste perdidamente por aquela pessoa. Como é que começou? Quais foram as coisas que sentiste e nunca tinhas sentido? Quais foram as coisas que fizeste e nunca tinhas feito? Quais foram as coisas que viveste e pensavas não existirem? Ultrapassaste os teus limites? Foste surpreendido? Está atento às imagens e às respostas que estão a passar na tua mente. Foi bom? Apetecia-te viver tudo de novo com a mesma pessoa ou com outra qualquer? Acredito que sim. Agora diz-me, essas memórias são suficientes para, hoje em dia, seres feliz? Têm o condão de te alimentar quando não estás apaixonado? Puxam-te para cima, quando estás mais em baixo? Acredito que não. E porquê? Porque elas não estão a acontecer “Agora”. Porque “Agora” és limitado. A paixão pode e deve ser muito mais do que o estar apaixonado por alguém. Esse fogo é aquilo que te move, que te faz sentir, fazer e viver coisas novas, que te faz ultrapassar os limites que julgavas ter e que tem a capacidade, renovada e infinita, de te surpreender. O teu desafio passa “Agora” por tentar encontrar, entre todo o lixo que depositaste em ti, algo que te apaixone, que mexa, finalmente, contigo e para isso basta levantares os olhos.

A vida é apaixonante.  


in "Arrisca-te a Viver", 2012

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

ELEVA-TE!


A verdadeira ascensão do homem começa no momento em que ele percebe que tudo o que procurou nos outros, durante anos e vidas, se encontra dentro dele. O alimento e o reconhecimento, a compaixão e o perdão, mas acima de tudo o Amor. Todos nós somos ou já fomos vampiros esfomeados, capazes de planear ataques perfeitos. Todos nós já nos alimentámos de pessoas, provámos o sangue das suas almas e sugámos a sua energia. E tudo isto para quê? Para que elas nos possam reconhecer, para que possamos ouvir, diariamente, o que precisamos mas não temos onde nem como encontrar dentro de nós. Para que elas nos digam aquilo que queremos ser e alimentem o nosso ego. Esta prática, necrófaga, é recorrente em todos os seres humanos em não ascensão. Todos nós já procurámos, nos outros, os seus braços de compaixão para nos ampararem e nos darem “cólinho”. Todos nós já nos refugiámos em suas casas, abusando do seu espaço, porque não conseguimos estar sozinhos na nossa e enfrentar o boi pelos cornos. Todos nós já precisámos deles porque em determinada altura da vida fomos uns coitadinhos e a vitimização ainda é o melhor caminho para termos direito à atenção alheia. E tudo isto para quê? Para que nos possam perdoar, para que nos possam entender e proteger com festinhas e cafunés que, na maioria das vezes, nem lhes apetece dar, mas como é amigo tem de ser, e a partir daí consigamos abrir, novamente, os olhos e seguir com a nossa vida. Esta é, também, uma prática recorrente em todos os seres humanos em não ascensão. Por último, todos nós já exigimos que os outros nos amassem para que nos pudéssemos sentir amados. Já quisemos que a nossa companheira, o nosso amigo ou o nosso familiar estivesse disponível a dar os cem porcento dele mais os cinquenta porcento que faltavam de nós, quando na realidade isso não é possível, pois nenhum todo é superior a cem porcento e o pior é que muitos ainda têm e tiveram o descabimento e a coragem demente de cobrar e dizer: “não sou feliz contigo porque não me dás o que preciso”. Este comportamento egoísta padece, ainda, de uma patologia infecto-contagiosa, pois o passar do tempo acabará por trazer à pessoa com quem nos relacionamos todas as frustrações interiores que guardamos cá dentro, resultantes de um passado mal dirigido, e adulterar para sempre a sua autoconfiança, auto-estima e felicidade. Esta doença caracteriza de igual forma todos os seres humanos em não ascensão.
A verdadeira ascensão do homem começa no momento em que ele percebe que tudo o que procurou nos outros, durante anos e vidas, se encontra dentro dele. E não há ascensão sem um caminho. E não há um bom caminho, se não o fizermos sozinhos. Se custa? Custa. Se dói? Dói. Se é sofrível? Por vezes. Se é vital? É. Se vale a pena? Sempre.

in "Os Laços que nos Unem", 2008

terça-feira, 6 de novembro de 2012

RESPONSABILIZA-TE Ò IRRESPONSÁVEL


Uma das mais fortes e feias tendências do ser humano é afirmar que tem sempre as mãos lavadas e que as dos outros é que andam sempre sujas. À mesa, tudo bem, agora, no quotidiano, é terrível. Culpar, sistematicamente, os que nos rodeiam pelo que não somos, não conseguimos e não temos é, permitam-me a franqueza, a solução dos fracos.
Os guerreiros sujam as mão e assumem as suas vulnerabilidades, aceitam quando fracassam e concordam com o resultado que obtiveram, voltam a tentar e nunca desistem, por isso, acredito eu, são os únicos que chegam, verdadeiramente, a algum lado.
Quantas vezes erraste ou não deste o teu melhor e olhaste para o lado no momento de apurar o responsável? Não assumires os teus actos e os resultados que deles advêm é passar uma vida inteira a chover no molhado e vai chover tanto e vais ficar tão molhado que, mais tarde ou mais cedo, vais morrer afogado na tua própria irresponsabilidade. Mesmo que tenhas um objetivo concreto, uma estratégia bem definida e nenhum medo a assolar-te o espírito, não conseguirás avançar e, muito menos, ir mais longe se não fores capaz de aprender com os teus erros.
A assunção do erro é a certeza de que o caminho é por outro lado, que, por isso, que estás mais perto de chegar onde queres e que és merecedor de uma viagem auspiciosa. Não há ninguém que consiga um feito grandioso sem falhar primeiro, da mesma forma que não há ninguém que atire as culpas todas para o lado e consiga, verdadeiramente, chegar a algum sítio.
 
in "Arrisca-te a Viver", 2012
 

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O DIA DA INDEPENDÊNCIA


Podes depender dos teus pais para ter uma cama para dormir, dos bancos para te conceder um empréstimo e comprar uma casa, de um chefe de cozinha para te fazer uma iguaria ou de um transporte que te leve de um ponto ao outro da cidade no tempo que precisas, mas isso é apenas um vislumbre da vida. A vida, no seu todo, são as tuas ideias, o teu projeto, os teus sonhos e a tua missão e não há nada destas coisas, nenhuma mesmo, que dependa de alguém a não ser de ti para a sua consumação. Agora, analisa bem o teu discurso interior, tenta perceber de que forma ainda és influenciado ou manipulado, e por quem, onde se encontra a tua auto-estima e o teu desejo de ser, realmente, feliz. É fundamental que fales contigo, pois existe sempre algo dentro de ti que te quer dizer alguma coisa, que te quer informar como estás tu por dentro. Na dúvida, dá sempre razão a essa voz em detrimento daquelas que te querem possuir, que te querem como um bem delas.
Depender de alguém, das ideias dos outros ou das filosofias das massas, é negar a nossa própria existência, é abdicar totalmente do poder que nos foi concedido à nascença e a mais profunda ingratidão para com a oportunidade que nos foi dada de aqui estar. Como já o disse, cada um de nós é um ser especial e precioso, com responsabilidades pessoais e sociais diferentes de todos os outros. Cada um de nós pode fazer a diferença.

Quantas vezes já deixaste de arriscar porque não to permitiram? Quantas vezes já sonhaste com algo diferente daquilo que te foi imposto ou ensinado e por isso desististe? Quantas vezes foste feliz por depender de algo ou alguém?
Muitas pessoas optam, conscientemente, pela dependência por acharem que a vida se torna mais fácil nesse estado de submissão. Na verdade não lhes é exigido que lutem por nada, por ninguém e, muito menos, por elas. Agora, pergunto eu, que interesse é que isto tem? Esta gente, apesar de respirar e dar ares da sua graça, já morreu e só andam aqui a fazer figura de corpo presente, pois as suas vidas já não são desafiantes. Ser dependente é ter medo de assumir o risco das suas paixões, é a prova de uma tremenda ausência de auto-estima, confiança e amor próprio.

Agora, considero determinante, até para não gerar qualquer tipo de confusão, mencionar um outro aspecto. Uma coisa é depender, outra, bem diferente, é precisar e todos nós, sem excepção, precisamos uns dos outros. Por exemplo, dependo de mim para acabar de escrever este livro, mas não dependo de nenhuma editora para publicá-lo. Preciso que o façam, naturalmente, mas se não for uma, será a outra. Percebes a diferença? Podes ouvir o que te dizem porque estás a precisar de conversar, mas não tens de tomar nada do que ouves como uma verdade tua. Podes precisar da companhia de alguém, mas não tens de depender da presença eterna dessa pessoa.
Dependes de ti. Precisas dos outros.


in "Arrisca-te a Viver", 2012

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A SEGUNDA VIDA DO "GATO DAS BOTAS"



Olá,
sou um gato com um mês de idade, residia com a minha mãe e o meu irmão na marina de Sitges, arredores de Barcelona, e o meu destino mudou quando fui aconchegado por um par de mãos tão suave que não tive outra hipótese senão voltar a acreditar que havia um sentido para estar vivo.

Quando me abraçaram, confesso, estava preparado para morrer.
Sem esperança, vivia com tanta fome, frio e dores que desejava, no íntimo do meu pequeno ser, deixá-las de sentir para sempre. Foi por isso que me sentei no meio da estrada e de costas para os carros. Arrisquei tudo. Ou me viam ou me atropelavam, fosse como fosse, tudo era melhor do que aquilo que estava a passar. Da vida conhecia pouco, pois além de respirar e ter aberto os olhos há relativamente poucos dias, a verdade é que a frequência com que espirrava era tanta que já tinha os pulmões cansados e, além disso, acabara de ficar cego com uma enorme conjuntivite. Viver? Porquê?

Porque, percebi minutos depois, que a vida nos reserva sempre inúmeras surpresas. Porque o simples “acreditar” faz milagres. Porque, de um momento para o outro, tudo pode recomeçar. Foi o que me aconteceu. Exactamente o que me aconteceu desde o abraço daquela deusa. Levaram-me a um senhor que vestia uma bata branca e trataram de mim. Fizeram trinta por uma linha, mas eu já nem queria saber. Sentia-me confiante e se miava não era a queixar-me, estava era a exultar pelo que me havia acabado de acontecer. Aos poucos o calor do amor voltara, a fome foi passando e eu fui começando a ver as cores do mundo outra vez. Que bom é estar vivo.
Já ouvi por aqui dizer que daqui a uns dias me vão levar para um país diferente, chamado Portugal. Vou de avião, seja lá o que isso for. O que eu espero é não ter problemas com a língua e que alguém me possa amar tanto quanto eu mereço, pois se foi para sobreviver que viva uma vida próspera e abundante em afectos. Sim, quero mimos e crescer ao lado de alguém que seja um exemplo para mim, assim como eu sinto que sou um exemplo para quem me está a ler neste momento.

Gosto de sentir esta compaixão nas pessoas e gostava que o que aconteceu comigo se multiplicasse por outros colegas, pois, neste momento e espalhados pelo mundo, muitos de nós precisam do mesmo abraço que eu tive para termos uma real oportunidade de viver. Não garanto nada a ninguém, mas sei a bondade e o incondicionalismo que vive em todos nós. Não somos animais, somos amigos. Somos puros e tudo o que desejamos é uma alma gémea de outra raça que nos ampare e dê confiança por forma a inspirarmos a vida uns dos outros.
Quanto ao resto, tenho saudades da minha mãe e das brincadeiras com o meu mano. Por um lado, emociona-me saber que não voltarei a vê-los e que, certamente, ainda andarão à minha procura, mas por outro, também sei que só assim o meu irmão terá mais hipóteses de sobreviver, pois a comida era escassa e ela tinha de dividir o que conseguia por dois. Também sei que ficará mais quentinho e protegido do frio que se aproxima. Mãe, quero que saibas que foste uma grande gata e que é graças a ti que eu vou ter uma história fantástica daqui para a frente. Obrigado por tudo, mas especialmente pelo carácter que sempre demonstraste ter. Vou seguir-te as patinhas e não te desiludirei. Desejo-vos, do fundo do meu coração, que possam ter a vida que merecem e que, quem sabe, possam ser abençoados como eu fui. Só vos posso dizer que vale a pena viver, por isso lutem, lutem sempre, até esse momento chegar.

Miamos juntos…

 
PS – Naturalmente, não fui eu que escrevi este texto. Sou um gato, lembram-se? Foi um senhor qualquer que tem um blogue e gosta de publicar uns livros. Acho eu…

Miauuuu

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

AMANHÃ NÃO, AMANHA-TE!


Quantas vezes já disseste que amanhã é que é o dia em que vais deixar de fumar, ter atenção à alimentação, procurar emprego naquele sítio, fazer exercício físico, dizer aquilo que pensas a determinada pessoa, ir ao médico fazer exames de rotina e por aí adiante? Estás-te a rir? Eu não achava muita graça.

Quando o dizemos, há algo em nós que, realmente, acredita ou nos faz querer acreditar naquela verdade e, como tal, tendemos a abusar naquelas horas que antecedem o amanhecer, por aquele ser o último dia em que nos vamos poder deleitar com o sabor dos cigarros, da comida, do sedentarismo do sofá e da falsa paz por ainda não termos de confrontar determinada pessoa. Ora, essas horas são tão intoxicantes que, no dia seguinte, quase nunca acordas com a destreza suficiente para agir e mesmo que o consigas, a manhã é tão ameaçadora que, ao primeiro contratempo, (chuva, trânsito, a camisa que não está passada a ferro, o cabelo que está eriçado, o cinto que não encontras, um telefonema chato…) vais fugir do que havias objectivado e refugiar-te, novamente, no teu problema. A soma destas tentativas e a multiplicação dos fracassos, sem dares conta disso, vão alimentando a tua frustração e a tua desilusão até que, por fim, a catástrofe irrompe da tua indiferença e tenta puxar-te para as trevas. Apanhas um susto, para alguns o suficiente, para outros o fim.

E, então, o que é que está na origem da inacção? Tu, sempre tu. O que acontece é que na grande maioria das vezes e para já não ouvires os outros falarem dos prejuízos que irás arrecadar se continuares a viver assim ou assado, dizes “amanhã” para satisfação dos chatos e, assim, pode ser que eles se calem. Quando assim é, passas a viver na mentira e às escondidas, enganando o mundo inteiro menos o essencial, a tua consciência. Outras vezes, referes o “amanhã” por alguns conselhos que ouviste e, no momento, te fazem sentido. Quando assim é, passas a acreditar no que te disseram como uma verdade tua porque, por segundos, confundes o teu modelo de mundo com o daqueles que te aconselharam. Não é o mesmo. Perceberás logo pela manhã. E tudo isto tem este peso e esta carga dramática, porquê? Porque a verdade é que, raramente, estás convicto de que és capaz, tens coragem ou que desejas, realmente, essa mudança e, porque assim é, crias a ilusão de que amanhã ou um dia destes é que será o teu grande dia, o primeiro do resto da tua vida. Naturalmente, acabas por viver uma vida inteira assim, projectando para o dia seguinte, tudo o que estás longe de ser capaz no momento. Não conseguirás avançar desta maneira.

Amanhã, nunca será o dia indicado para começares nada. Apenas “Agora” podes definir o resto da tua vida, alcançar tudo o que desejas e tudo o que é melhor para ti.



in "Arrisca-te a Viver", 2012