terça-feira, 11 de agosto de 2015

E O AMOR?





E O AMOR?

Está tudo errado.

A política, a religião e o caminho que a grande maioria dos seres humanos está a fazer. Não há liderança na política, não há progresso na religião e há uma considerável ausência de sentido na vida de quase todos.

Assim, só teremos um destino: a extinção.

Todo o foco do governo está centrado no dinheiro. O importante é se o país está a ser capaz de pagar a dívida, se está a conseguir equilibrar as contas e a corresponder às exigências desumanas de gente de fora que nunca sentiu dentro, imaginou ou verdadeiramente se interessou em conhecer as extremas dificuldades por que passam milhares de famílias, crianças e velhos, e a profunda desorientação de milhares de jovens cuja esperança em mudar ou fazer algo novo se vai esbatendo na muralha de medo que estes pseudolíderes edificaram a seu belo proveito. Exigir é tão fácil quando se tem, quando se pode, quando nos é indiferente. Sempre que ouvimos um político falar, ninguém acredita, ninguém sente que aquilo que diz corresponde àquilo que é. Falta-lhes autenticidade, alegria no trabalho e amor.

Falta-lhes muito amor.

Amor aos outros. Amor à missão. Amor ao planeta.

E é por isto que cada vez mais pessoas estão a afastar-se do poder de votar, da livre escolha de poder mudar o destino do país. Consciente ou inconscientemente, as pessoas sabem que fica tudo na mesma. Continuará a falar-se mais da dívida do que em compaixão; continuarão a haver discursos lidos sem ponta de emoção; continuarão a não existir verdadeiras ideias de mudança; continuará a abstinência de esperança. Por isso não se admirem se cada vez menos pessoas se derem ao trabalho de votar. Aliás, não votar é o novo voto em branco. É o quero lá saber destes tipos, vou é investir toda a minha energia em mim, naqueles que amo, nos meus projetos e em tudo o que me apaixona.

Esta separação, cuja escala será cada vez maior e mais forte, vai levar-nos, em algumas décadas, ao desaparecimento da política tal qual a conhecemos. É verdade. Não sabemos, mas somos cada vez mais a gritar bem alto: ASSIM NÃO DÁ. E não vai dar. E a mudança dar-se-á.

Acredito profundamente, e chamem-me sonhador, que daqui a menos de uma mão cheia de décadas, o mundo estará diferente. Esta liderança pelo ego e pelo medo vai dar lugar a uma liderança em amor onde o principal foco de quem decide estará centrado nos outros, na supressão das suas necessidades, na consumação dos seus sonhos e na verdadeira liberdade do ser, sem ameaças, mentiras nem roubos de igreja.

Só o amor conseguirá devolver-nos quem somos e mostrar-nos o que viemos aqui fazer. 

E por falar em igreja, o que dizer desta instituição?

Hoje em dia associa-se mais o pecado, a corrupção e os mais graves crimes a estes líderes do que a uma ideia de amor, o vislumbre de um caminho ou à própria fé. Também isto tem o tempo contado.

Felizmente.

E uma sugestão, que tal um novo evangelho? Sim, um evangelho que dê maior importância à pessoa, que lhe dê a responsabilidade das suas escolhas e que nos venha, e de uma vez por todas, dizer que todos somos UM e que ninguém é melhor que ninguém, apenas diferente, com processos e missões de vida distintos, e que a vontade de Deus não está acima da nossa, está ao lado, porque este UM somos todos, onde Ele está incluído, e somos todos amor. À igreja falta-lhe fazer mais amor e aos seus fiéis falta-lhes o discernimento para perceberem que não é Deus quem comanda as suas vidas, mas eles. Apenas eles. Só em amor, em profunda responsabilidade, e com amor podemos salvar este planeta.

Precisamos de todos. Precisamos elevar uma unidade de combate e guerrear pela mais ameaçadora das guerras: o amor em si. Nada nos assusta mais que o amor. E a razão é simples, dá muito trabalho amarmo-nos e amar ao próximo, é muito mais fácil não nos questionarmos e julgar tudo e todos. Estamos quase a perder a luta, é um facto, mas ainda vamos a tempo. Ainda temos tempo de criar a mudança, de gerar compaixão e afeto, união e fraternidade. Somos amor e amar é tudo o que temos de fazer. Seja em casa, na rua, no nosso trabalho, com este ou com aquele, é de dentro de nós que aquilo que somos tem de se expandir. Temos de saber perdoar, aceitar o que não controlamos e dar incondicionalmente, sem expectativas, cobranças ou dependências. São estas as nossas armas.

Amar é o caminho. Não é o dinheiro, não é a mentira, não é o medo e muito menos um senhor na cruz em sofrimento ou uma falsa ideia de eternidade. Somos todos eternos e estamos aqui para ser felizes. Quando nos unirmos em torno desta missão planetária, só quando nos unirmos, quando formos esse UM, conseguiremos mudar o curso da vida e experimentar o que verdadeiramente significa “Ser” humano.

O meu contributo é diário, o teu também deve ser. Só tens de descobrir como o podes fazer e depois, quanto mais o fizeres, mais vais inspirar quem te rodeia e por aí adiante. Já sentiste a tua responsabilidade? É nesta guerra que me encontro há muitos anos. Faço-o por amor à minha missão. Não é fácil, mas seria tremendamente mais difícil ter conhecimento do que vim cá fazer e estar-me nas tintas para isso. Agora, uma coisa é certa, quem, como eu, escolher caminhar na linha da frente, prepare-se para levar muita porrada. Faz parte. Todos aqueles que desejam e lutam pela mudança serão sempre ameaçados por uns, postos em causa por outros e atacados pela maioria; é normal e não é por mal que o fazem; não dar ouvidos a uma consciência maior resulta nisso mesmo, terão o seu tempo para evoluir; saibamos nós manusear as nossas armas, erguer a cabeça e seguir em frente.

O medo tem muito medo do amor, apenas precisamos ser mais a escolher amar como o amor deve ser amado.

E assim está tudo certo.

Guerreiros, confiem e avancem. A vitória é nossa.   

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

CARTA ABERTA À OPINIÃO PÚBLICA

                                          CARTA ABERTA À OPINIÃO PÚBLICA

Na sequência da enorme cascata de opiniões em torno da minha pessoa nas últimas vinte e quatro horas, ao destaque exacerbado que vem sendo dado por anónimos e até pelos media e à profunda manipulação relativamente ao conteúdo daquilo que afirmei sobre o que infelizmente sucedeu em Paris, nomeadamente na redação do satírico “Charlie Hebdo”, venho por este meio apresentar algumas notas e levantar algumas questões que me parecem vitais para o esclarecimento de uns e para a consciência de outros. 
A mensagem foi a seguinte:
Liberdade de expressão é uma coisa, desrespeito gratuito e egóico pelas mais altas crenças dos outros, sejam elas quais forem, é outra. Infelizmente, um e outro ponto colidiram hoje. Que uns sejam apanhados e severamente julgados pelo que fizeram e que outros, os que tiveram sorte e ficaram, assim como tantos outros que fazem carreiras a ridicularizar a verdade de quem não conhecem de lado nenhum, aprendam alguma coisa com isto!
Opinar sim, questionar também, agora gozar sistematicamente com convicções alheias é que me parece despropositado. Além disso, sempre que desrespeitamos alguém desta forma, estamos a trazer uma potencial ameaça para a nossa vida!
Como primeira nota, até porque seria insensato da minha parte pensar que tantas pessoas sofriam do mesmo grau de loucura (embora acredite piamente que metade das pessoas que se dirigiram a mim em modos esquisitos não tenham lido o “post” na íntegra ou feito qualquer esforço para interpretá-lo para lá de uma visão primária, deixando-se unicamente levar pela maré de asneiras e por aí adiante), gostaria, desde já, de assumir que aquilo que escrevi na tarde de ontem podia, e devia, ter sido mais afinado. Quando o partilhei, fi-lo unicamente focado no que seria perceptível para mim e para quem vibra na mesma consciência que eu. Nesse sentido, podia ter feito melhor. Sabia fazê-lo. Deixei-me levar pelo que estava a sentir e esqueci-me de que estava a falar para milhares de pessoas com crenças e visões diferentes das minhas. O conteúdo é, na minha opinião, intocável, no entanto, a abordagem podia e devia ter sido outra.
Como segunda nota, gostaria de afirmar peremptoriamente que sou pelo amor e nunca pelo ódio e que este ato hediondo é uma profunda tristeza para uma sociedade que se quer livre, não só na expressão, mas também no ser.
A minha terceira nota surge da necessidade de esclarecer o que talvez tenha ficado por dizer, embora nunca me tenha saído do pensamento. Um radical não é uma pessoa como nós. Não pensa como nós, não sente como nós, não vê o que nós vimos, não alcança o que nós alcançamos. E é neste sentido que me sinto frustrado com os profissionais do “Charlie Hebdo” pelo sucedido. Eles eram os únicos que podiam ter evitado este massacre porque eram os únicos com uma consciência de mudança. Um fundamentalista não é consciente a este nível. Não há sequer um vislumbre de mudança na cabeça de um radical. Ele só tem uma verdade. É a dele e tudo o que for contra a dele, é para ser arrasado. Todos nós sabemos disso. O mundo sabe disso. Aquela redação também o sabia. Se estou de acordo? Não. Claro que não. Acho nojento e de uma frieza atroz, no entanto, o que para nós é impensável, para eles é o fulgor de uma vida. Se tiverem de morrer, pois vingaram o seu Deus, que assim seja.
Tudo o que fiz, e o que muitas pessoas fizeram, embora não tenham sido capazes de o assumir, foi colocar-me na cabeça deles. Sim, colocar-me no lugar deles. O que pensariam ao ver, semanalmente, atentados (sim, para eles são autênticos ataques; não são cartoons humorísticos) contra as suas leis, contra o seu ídolo, contra a razão do seu viver? O que sentiriam ao testemunhar tamanha falta de respeito? O que lhes apeteceria fazer perante tudo isto? Dá que pensar, certo? E se não der é porque continuas na tua cabeça e a ver apenas a tua verdade. Agora, colocar-me no ponto de vista deles, não quer dizer que os defenda. De modo algum. É desumano. Apenas apelei à minha consciência e a minha consciência diz-me que aquilo que fizeram é normal para eles. Enquanto uns choram a morte de entes queridos, outros regozijam-se pela vingança consumada. É dilacerante. O desafio que temos pela frente, e é a essa aprendizagem que me refiro na dita publicação, é que a nossa verdade pode chocar, e de forma trágica, com a verdade dos outros, como tal, devemos ser tremendamente responsáveis quando a passamos, muito mais se nos dirigimos a comunidades desta natureza.
O ataque a que a redação foi alvo anos antes era já um forte sinal do que poderia acontecer. Se tinham de deixar de ser quem eram? De fazê-lo? De respeitar a sua linha editorial? Não, claro que não. Mas podiam ter-se prevenido, sendo, e por exemplo, escusadas determinadas formas de ostentação da sátira pelo próprio diretor e caricaturistas como se prova em inúmeras fotografias. Para assumir uma conduta é preciso assumir também a responsabilidade e os riscos da mesma. Resumindo, é uma pena. Perderam-se vidas, destroçaram-se famílias por questões do foro do ego. Uns profundamente exacerbados e outros, porventura, distraídos. Mas isto não se passa apenas naquela cultura nem se passou apenas em Paris. Isto é um problema social, pois há radicais nos mais variados sectores da nossa sociedade. Lá é exacerbado, estamos todos de acordo, pois até se decapitam e amputam uns aos outros, mas aqui, sim no nosso Portugal, também já se assistiram a episódios tristes. Quantas pessoas já espancaram e foram espancadas por defenderem os seus direitos? Quantas pessoas se agridem nos estádios de futebol porque torcem por clubes diferentes? E por aí adiante. E se cada um tivesse uma “kalashnikov” na mão?    
A minha quarta nota vai para os humoristas. Nunca, por momento algum, vos enunciei. Vou fazê-lo agora. Tenho um enorme respeito pelo vosso trabalho. Eu próprio, e até com aquilo que fazem a meu respeito, desde que haja comédia e não maldade, me farto de rir com a vossa criatividade. São precisos e bem-vindos, sobretudo num país que precisa de se divertir. Tudo o que fiz foi alertar para o risco de se mexer com convicções desta ordem. Se é o vosso caso, não sei. O que sei, e tal como todos já percebemos, é que nada justifica a perda de uma vida humana.
Como quinta e última nota, e sem qualquer sombra de ironia, gostaria de agradecer a todos aqueles que comentaram o meu “post”, sobretudo os que fizeram juízos de valor a meu respeito sem nunca me terem cumprimentado, pois deram-me uma excelente amostra do estado do nosso país. Existe uma enorme incongruência e insensatez por resolver. Num segundo censuram o não direito à liberdade de expressão, e fazem muito bem, mas no segundo seguinte já atacam, e de forma veemente, a própria liberdade de expressão. Não me parece um discurso equilibrado, no entanto, aceito. Gostaria também de agradecer os inúmeros telefonemas e emails que tenho recebido no dia de hoje e salientar dois pontos comuns que me parecem bastante interessantes: a vergonha alheia que se sente pelas opiniões que foram sendo escritas nas últimas horas e a quantidade de pessoas que teve a capacidade de assumir que pensam exatamente como eu, embora lhes falte a coragem para se afirmarem. Tanto uns como outros inspiraram-me. Obrigado.
Estou convicto de que, agora sim, fui claro.


Gustavo Santos

domingo, 4 de janeiro de 2015

Confissões "COSMOPOLITAN", Janeiro de 2015


Confesso,
o início de um novo ano é sempre a melhor boleia para inovar, quebrar tabus e romper com as miseráveis rotinas de um ano inteiro sem ponta de prazer.
Sim, neste novo ciclo de trezentos e sessenta e tal dias quero falar sobre o prazer, sobre o deleite em forma de sussurros, gemidos e orgasmos, sobre o gozo maior de dois corpos abandonados à voluptuosidade de um momento quente.
Tão bom. Quem é que se lembra do inverno quando dois corpos fervem um contra o outro?
A maioria das pessoas esquece-se que o prazer existe, não se lembra que ele é parte de nós e que ele, por si só, é responsável por uma grande fatia da nossa confiança. O sexo, apesar do roçar das peles, mexe muito mais com o estado do espírito do que com o corpo em si mesmo. Ele é fundamental para a elevação da estima e para o declínio do medo. Uma queca bem dada torna o mais cinzento dos dias na data mais formidável do ano. É um facto. E quem negar isto, das duas uma, ou não as dá ou não as sabe dar. Seja como for, nada melhor que experimentar ou arriscar dar uma para perceber bem o que estou a dizer. Vale a pena.
Então, e posto isto, que tal começar já a considerar o prazer como uma prioridade para este novo ano? Boa ideia, certo? Eu ajudo! Quer dizer, não dessa forma tão prática como pode ter ocorrido, assim de repente, às peles mais sensíveis, ainda que, e numa outra circunstância da minha vida, não me incomodasse muito um ou outro caso especial, no entanto, e deixando-me de devaneios, posso sempre contribuir à distância e da forma que me parece mais correta. Como? Elaborando um simples plano de ação que vos dirija automaticamente à materialização da necessidade que estamos a falar. Passo a explicar:
Em primeiro lugar é imperial saber quais são as fantasias que te atormentam por não lhes dares a carne e o ambiente que necessitas para torná-las reais. Tê-las-ás seguramente, apenas preciso que as recordes, por forma a dares início a todo o processo. Um arrepio, uma contração ou mesmo um súbito desconforto numa ou outra zona erógena é passível de acontecer. Depois é requerido que saibas com quem te apetece viver o dito assomo de loucura. Se não souberes, encontra. Hoje em dia, só é difícil acertar no EuroMilhões. De seguida, é necessário criar a envolvência, ou seja, a forma como te vestes para seres despida, o perfume que vais usar para ser lambido, o cabelo solto ou apanhado, a praia mais intensa ou de areia menos fina, a rua perfeita, o elevador a gosto, o vão de escadas que mais mexe contigo, a casa de banho que mais te excita, o lugar do carro que mais desejas e por aí adiante. E por último, fá-lo. Pelo amor de Deus e por amor a ti mesma, fá-lo. Precipita-te nos teus mais profundos desejos, encarna a fome e a vontade de comer ao mesmo tempo e grita, para dentro ou para fora, mas grita. Se a pessoa que estiver contigo se sentir assustada, dá-lhe a medicação que levaste e que me esqueci de enumerar, mas não a deixes fugir. Aquele é o teu momento, é aquilo que tu és e que te esqueceste que eras. Sê. Vibra. Entrega-te. E escuta, ninguém vai notar. Ou estarão a fazer o mesmo e a aproveitar a mudança ou confundirão o que estão a ouvir com o estalar dos foguetes no céu. Sê o teu próprio Réveillon, sem medo, sem nada.
Somos todos responsáveis por ancorar o amor, a paixão e o dito prazer neste planeta. Contribui para esta causa.
Feliz ano novo!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Confissões "COSMOPOLITAN", Dezembro 2014


Confesso,
uma vez mais, não vou oferecer nada a ninguém neste Natal.
Já o fiz mais que uma vez e adoro fazê-lo. Adoro este descompromisso com o suposto, este infringir de regras e, sobretudo, adoro não ser toino como a maioria. Sim, como aqueles que abdicam do essencial em prol de corridas desenfreadas entre centros comerciais à procura do que não sabem, como aqueles que têm dificuldade em dormir por não saber o que dar e a quem dar, como aqueles que fazem contas e mais contas para esticar o ordenado ou a falta dele por forma a agradar aos outros ou como aqueles que dão o mesmo a todos, indiferentes aos gostos e às necessidades de cada um. Deus me livre. Que sufoco. Todos os dias de dezembro dou graças a mim por não padecer desta doença.
Este dar porque foi instituído que se deve dar é, e perdoem-me as exceções, ou seja, aqueles que dão verdadeiramente com amor, absolutamente ridículo. Não acrescenta nada à vida das pessoas a não ser stress, ansiedade e expectativas. Não se dorme bem, não se respira a época nem se celebra por inteiro e quando chega a consoada já está tudo demasiado estafado e com culpas demasiado pesadas aos ombros para conseguirem sentir o fundamental: a união, a família, o afeto, as partilhas e o amor. Quem é que já não sentiu esta carência na pele? Eu já e também mais que uma vez e talvez por isso fale de uma forma tão aberta acerca deste tema. É que já dei por mim, recentemente e em variadíssimas ocasiões, a abrir os melhores presentes da minha vida muito antes da meia-noite e à mesa entre gargalhadas, lágrimas, histórias e olhares cúmplices. O Natal é isto. Apenas isto. A plenitude e um sentimento de profunda gratidão. E é por isso que se diz o que Natal devia ser todos os dias.
Naturalmente, não me atrevo a opinar sobre prendas a crianças, a pais, a melhores amigos ou à pessoa com quem partilhamos a vida, jamais o faria, no entanto estou certo de que tal investimento deva ser, acima de tudo, uma escolha de amor e não por uma devoção qualquer ao formato a que a nossa sociedade se limitou. Aquilo que é material só faz sentido se complementar o que é sentido, jamais servirá como substituto ou argumento que o valha para a ausência de amor, como tal, o presente ideal seja para quem for deve ser sempre o beijo ou o abraço, o carinho ou o amasso e o “amo-te”, o perdão ou a aceitação. E o melhor é que nada disto tem custo algum. É à borla. As pessoas podem, então, dormir descansadas, não precisam fazer mais contas difíceis nem continuar a fazer figuras tristes com oferendas reles desprovidas de qualquer sentido ou sentimento. Poderão, então, ser livres e conseguirão desfrutar da época, e ela é tão especial, por inteiro e sem o mínimo constrangimento a que a obrigatoriedade tanto exige.
Só assim, oferecendo aquilo que verdadeiramente somos, é que podemos ser felizes.
E para fechar, diga-se a verdade, não há ninguém que queira mesmo um par de peúgas, uma caixa de chocolates nem vinte, cinquenta ou cem euros fechados num envelope. Nada disso tem energia. O que as pessoas desejam é que o barbudo lhes devolva o aconchego, o afeto e o amor entre todos. Simples. Ah, e só mais uma coisa, nada disso descerá pela chaminé, somos nós, cada um de nós, que terá de encontrar a fonte que existe em si para depois o conseguir partilhar sobre a mesa de jantar com a árvore enfeitada como pano de fundo.
Feliz Natal.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Confissões "COSMOPOLITAN", Outubro 2014


Confesso,
é urgente reformular o conceito de rejeição.
As pessoas sentem-se rejeitadas por tudo e por nada. Virou moda. Agora quem não é rejeitado é que é posto de lado, excluído, ou associado a coisas estranhas como a felicidade ou o amor-próprio.
Uma treta.
A rejeição não é o abandono, não é o deixarem de gostar de nós e muito menos o sermos trocados por outra pessoa qualquer. Isso não é rejeição. Isso é o livre arbítrio e nada é mais sagrado que esta condição.
Nada. Absolutamente coisa nenhuma.
O respeito pela liberdade de escolha dos outros é tão importante como o respeito por ti. Como tal, impõe-se esclarecer, e desde já, o seguinte: a partir do momento em que te sentes rejeitado por alguém ficas, então e neste preciso momento, a saber que foste tu que te esqueceste de ti em primeira instância. Foste tu que te abandonaste. Foste tu que deixaste de gostar de ti. E foste tu que te trocaste por outra pessoa. Sim, em qualquer momento, consideraste essa pessoa como alguém muito mais importante que tu na tua própria vida, logo, passaste a depender dela, a centrar nela o teu mundo e a viver na sua mão.
Que bonito, não é?
Esse comportamento trouxe-te os malefícios expectáveis: tornaste-te numa pessoa frouxa, manipulável, sem opinião, passiva e dependente. Quem é que quer alguém assim? Eu não. Livra. Mas foste tu que iniciaste este processo. Portanto, ninguém é responsável, e muito menos culpado, por te ter deixado. Foste tu que escolheste dar esse passo para longe de ti.
As pessoas querem e deixam de querer, amam e deixam de amar. A vida é um vendaval de ciclos. Tudo começa e tudo acaba. E só tu estarás contigo do princípio ao fim da tua vida. Logo, se não queres correr o risco de ser rejeitado, respeita-te. Faz o que sentes, diz o que pensas, relaciona-te com quem te apetece, mas sem expectativas, entrega-te e deixa fluir. Só assim adquirirás a confiança que necessitas para, eventualmente, saberes aceitar o momento em que alguém queira seguir a sua vida sem ti.
Simples.
Só não és amado se não tiveres amor-próprio. A partir do momento em que te amas, nada nem ninguém te fará sentir rejeitado, pois tu possuis-te a ti mesmo. Tu és tu. Tu não és ninguém além de ti.
Resumindo, a verdadeira rejeição dá-se no momento em que tu abdicas dos teus valores em prol de alguém. É esta ideia que precisa ficar bem alicerçada na alma, no coração e na cabeça das pessoas. Sempre que nos amamos, ganhamos o inesgotável poder de nos apaixonar mais vezes, de perdoar mais facilmente e de aceitar tudo e todos de uma forma mais simples. Cada um de nós está no seu processo. É importante respeitar isso. Mas é fundamental saber edificar um “Eu” dentro de nós capaz de nos tornar independentes o suficiente para não nos alienarmos daquilo que somos e daquilo que queremos por nada nem ninguém. A pessoa certa para qualquer fase da nossa vida saberá respeitar e potenciar a nossa índole, se não souber é porque não é a pessoa certa. Simples.
Foca-te em ti, só assim poderás permanecer inabalável e crente que de que é possível ser-se feliz.     

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

OBRIGADO A MIM, OBRIGADO A DEUS E OBRIGADO A CADA UM DE VOCÊS!


Primeiro ninguém acreditava, depois ninguém queria saber e ainda me disseram que não era possível ser eu a escrever os meus próprios livros. Nunca permiti que me influenciassem,
nunca desisti, nunca desrespeitei os meus valores nem aquilo que sonhava e o resultado foi este! Está agora escrito e ao alcance de todos. Foram precisos seis livros e muitos anos de crer para obter este tremendo resultado, portanto, e a mensagem que fica disto tudo, é apenas esta: um sonho tem sempre longos caminhos e muitos passos a dar, portanto quem desiste nas primeiras passadas nunca chegará a conhecer este sabor, nunca saberá a gratidão, o orgulho e as emoções que decorrem de uma vitória destas.
Não é o título que me agiganta aos meus olhos, pois hoje sou eu e amanhã será outro autor, o que me faz brilhar é simplesmente o ter acreditado sempre em mim!
Tudo é possível, assim mantenhas acesa a paixão, a disciplina e o teu sentido de missão!

Obrigado!

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Confissões "COSMOPOLITAN", Novembro 2014


Confesso,
sexo é fundamental, estejamos nós numa relação ou fora dela e orgulhosamente solteiros.
Tão bom. Poucas sensações nos transportam para níveis tão elevados de adrenalina, paixão e gratidão como o sexo ou, e como alguns gostam de chamar, o fazer amor. Sinceramente não consigo descobrir uma única diferença entre uma coisa e a outra. Sexo é sexo haja ou não amor. É corpo, é carne, é suor, é entrega, é calor, é tesão, é vontade, é liberdade, é vida. E é assim que deve ser estejas tu numa relação ou num descompromisso colorido qualquer. No sexo o amor tem sempre de ficar à porta. Se ele entra corremos o risco de nos tornarmos demasiado repetitivos, enfadonhos e desinteressantes, cheios de mariquices e frustrados com desejos que temos mas que tornámos impossíveis de experienciar pelo medo de magoar o outro, da sua reação ou do que possa ficar a pensar. Depois o tesão acaba, as culpas assomam-se e o relacionamento já era. Uma sugestão: amem-se antes e depois, mas comam-se nos entretantos. Sim, vamos abrir as bocas, dar voz ao manifesto, gemer, morder, arranhar, palavrear, rir e gozar.
Demasiado frio?
Nada disso. Aceito, porém, que as mentes mais antigas, preconceituosas e bloqueadas estejam boquiabertas com a assertividade deste meu ponto de vista, no entanto, e antes de criticarem ou se insurgirem, sugiro que experimentem. Sim, arrisquem. Peguem na pessoa que está convosco e saiam da rotina. Vão para a rua, para o carro, para um vão de escadas ou para um elevador. Façam numa casa de família, contra uma parede de uma casa de banho qualquer, no cinema ou mesmo no local de trabalho. Experimentem. O sexo exige esse risco e a explicação é simples: ele depende unicamente dos sentidos. Quem levar a mente para a cama ou para uma rapidinha seja lá onde for, terá severos problemas pela frente. No caso do homem notar-se-á mais, é um facto, mas na mulher idem idem aspas aspas. O sexo precisa ser sentido e para ser sentido não pode nunca ser pensado. Se alguém, por exemplo, equacionar que hoje é terça-feira e como em todas as terças-feiras é preciso pôr a matéria-prima a fazer quilómetros as coisas não vão correr bem, certo? E porquê? Porque o sexo não tem hora, imposições nem limites. Ele deve ser feito unicamente quando apetece e quando apetece é preciso encontrar-se soluções para vivê-lo naquele mesmo instante. Uma vez encontradas deixa-se o amor à espera, o medo na esquina e eterniza-se o momento.
Quem não é assolado por memórias destas?
Tão bom. E quanto mais uma relação for pródiga nisto, mais cúmplices, confiantes e fortes se tornam as individualidades que a fazem, logo, mais duradoura será. O sexo é, assim, o principal alimento de uma relação. Sem ele a relação esperneia, desespera e depois morre. Sem ele a tolerância, a aceitação e entreajuda falham. A paixão desvanece e o amor não consegue segurar as pontas.
Mas como é que se estimula alguém com quem já gozámos centenas de orgasmos e a quem já conhecemos todos os truques e todas as manhas?
Mudando. Exatamente, mudando. A pessoa é a mesma, mas se o lugar, o momento, a roupa e a envolvência forem diferentes, tudo é diferente. É como se fosse a primeira vez.
Só mais uma questão.
Apetece-te?